Algoritmo 1 · Há disfunção diastólica?
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Artigo comentado · Publicado em · Dr. Guilherme Moura
Ecocardiografia · Algoritmo sequencial · ASE 2025
Aplicação conjunta das Figuras 2 e 3 da recomendação da American Society of Echocardiography de 2025. Primeiro, verificamos se há disfunção diastólica. Depois, estimamos a pressão atrial esquerda e graduamos o padrão. A ferramenta explica cada decisão e sinaliza quando o fluxo principal não pode ser usado.
Ferramenta educacional
Preencha somente as medidas confiáveis. Campos vazios são tratados como não disponíveis, nunca como normais. A ferramenta distingue “critérios não preenchidos” de “dados insuficientes”.
Use valores obtidos e revisados no exame. Registre ritmo, frequência cardíaca e pressão arterial no laudo, pois interferem nos índices Doppler.
Ritmo sinusal, sem exclusões: os dois algoritmos gerais podem ser aplicados quando as medidas necessárias estiverem disponíveis. Ver situações especiais
Abordagem específica · fora dos algoritmos gerais
Texto de apoio: ajuste ao estudo completo, à qualidade do Doppler e ao contexto clínico. Não declare um grau 1–3 pela Figura 3 em população excluída.
Os limites abaixo favorecem pressão de enchimento elevada quando a medida é confiável e o fluxo principal é aplicável. Não fazem diagnóstico isoladamente.
Ar−A se refere à pressão diastólica final do VE, que não é a mesma coisa que PAE média. Os quatro primeiros itens são a segunda camada preferida da Figura 3; os demais são apoios quando ela não está disponível ou não é confiável.
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O segundo algoritmo reutiliza e′, E/e′, E/A e TR/PASP.
Visão geral
Eles respondem perguntas diferentes. “Disfunção diastólica” não é sinônimo de “pressão atrial esquerda elevada”. Um paciente pode ter relaxamento anormal e PAE normal em repouso.
Alteração do relaxamento e/ou da rigidez ventricular. Pode existir antes da elevação da PAE média em repouso.
Expressa repercussão hemodinâmica atual. Pode ser leve/moderada (grau 2) ou marcada (grau 3).
É uma síndrome clínica. Os algoritmos ecocardiográficos apoiam o diagnóstico, mas não substituem sintomas, sinais, biomarcadores e investigação funcional.
Figura 2 · ASE 2025
O e′ abre o fluxo porque é a medida mais factível e reprodutível de relaxamento. Quanto mais evidente o relaxamento anormal, menos marcadores adicionais são necessários.
| Estratégia | e′ septal | e′ lateral | e′ médio |
|---|---|---|---|
| Limites fixos da figura | ≤ 6 cm/s | ≤ 7 cm/s | ≤ 6,5 cm/s |
| 20–39 anos | < 7 | < 10 | < 9 |
| 40–65 anos | < 6 | < 8 | < 7 |
| > 65 anos | < 6 | < 7 | < 6,5 |
| Marcador | Anormal | Cuidado |
|---|---|---|
| E/e′ médio | > 14 | Na Figura 2, o operador é “maior que”. |
| LARS | ≤ 18% | Alta especificidade; sensibilidade menor com FEVE normal. |
| E/A | ≤ 0,8 ou ≥ 2 | Os extremos representam relaxamento reduzido ou pressão elevada. |
| LAVi | > 34 mL/m² | Excluir atleta, anemia, arritmia atrial, alto débito e doença mitral. |
Massa do VE > 95 g/m² na mulher ou > 115 g/m² no homem, após excluir adaptação do atleta, é outro achado consistente, mas não substitui automaticamente os quatro marcadores do Passo 2.
Figura 2 traduzida e comentada
O diagnóstico começa pelo relaxamento do VE e só então incorpora remodelamento das câmaras e marcadores de pressão atrial esquerda. Um único parâmetro isolado não encerra a avaliação.
Figura 3 traduzida e comentada
Fluxo para pacientes em ritmo sinusal, sem as condições de exclusão. Leia da esquerda para a direita conforme a combinação das três variáveis iniciais.
Figura 3 · ASE 2025
Aplicável no ritmo sinusal e fora das populações especiais. A decisão inicial usa três variáveis; medidas ausentes deixam o fluxo incompleto, sem graduação. Quando o conjunto inicial define discordância, entra uma segunda camada. E/A ≥ 2 só define grau 3 depois de estabelecer PAE elevada pelo fluxo.
Septal ≤ 6, lateral ≤ 7 ou médio ≤ 6,5 cm/s. Limites ajustados por idade podem substituir esses valores.
Septal ≥ 15, lateral ≥ 13 ou médio ≥ 14. Aqui, ao contrário da Figura 2, o valor médio de 14 já é anormal.
PASP ≥ 35 mmHg quando RAP é estimável. Se RAP não puder ser estimada, use TR ≥ 2,8 m/s, após excluir doença pulmonar.
| Combinação inicial | Próximo passo | Conclusão possível |
|---|---|---|
| As 3 normais | Encerrar | PAE normal e função diastólica normal |
| Somente e′ reduzido + E/A ≤ 0,8 | Encerrar | Grau 1, PAE normal |
| As 3 anormais | Usar E/A | E/A < 2: grau 2 · E/A ≥ 2: grau 3 |
| Somente E/e′ ou somente TR/PASP anormal | Variáveis adicionais | Discordância inicial |
| Quaisquer 2 anormais | Variáveis adicionais | Discordância inicial |
| Somente e′ reduzido, mas E/A > 0,8 | Variáveis adicionais | PAE pode estar elevada |
Considere qualquer um: S/D da veia pulmonar ≤ 0,67; LARS ≤ 18%; LAVi > 34 mL/m²; alternativamente, TRIV ≤ 70 ms. Um marcador confiável anormal favorece PAE elevada.
Use métodos suplementares: PR fim da diástole ≥ 2 m/s ou pressão diastólica da AP ≥ 16 mmHg; onda L mitral ≥ 50 cm/s; Ar−A > 30 ms; queda do E/A ≥ 50% no Valsalva.
Onde o algoritmo falha
A maior parte dos erros não vem do limite numérico, mas de aplicar o fluxo certo à população errada ou contar uma medida que não é confiável naquele contexto.
| Situação | Por que o fluxo principal não serve | Direção prática |
|---|---|---|
| Fibrilação atrial / flutter | E/A não é aplicável e há variação ciclo a ciclo. | Usar abordagem específica, ciclos pareados e múltiplas medidas. |
| Estenose mitral | Gradiente valvar altera o influxo e E/e′ perde utilidade. | TRIV < 60 ms, E mitral, A > 1,5 m/s e relações temporais específicas. |
| IM primária grave | Aumenta E e modifica fluxo de veias pulmonares; LARS pode não refletir PAE. | Ar−A > 30 ms e TRIV/TE−e′; E/e′ é mais útil se FEVE reduzida. |
| MAC moderada/grave | Eleva velocidades mitrais e reduz e′ mecanicamente. | E/A < 0,8 sugere PAE normal; > 1,8 elevada; entre ambos, usar TRIV 80 ms. |
| Reparo, prótese mitral ou TEER | Intervenção altera influxo, anel e relações temporais. | Aplicar protocolo específico; o fluxo da Figura 3 é excluído. |
| Hipertensão pulmonar não cardíaca | TR/PASP refletem o leito pulmonar; septo altera e′ septal. | Preferir E/A, E/e′ lateral, LAVi e LARS em algoritmo específico. |
| Transplante cardíaco | Desnervação, taquicardia e movimento translacional mudam os índices. | E/e′ médio < 7 normal, > 14 elevado; entre 7–14, SRIVR ou TR. |
| Constrição pericárdica / LVAD | Fisiologia e dependência de carga são próprias. | Não aplicar a Figura 3; usar critérios específicos. |
Sintomas aos esforços
O eco diastólico de esforço é mais útil no grau 1 sintomático ou quando a função/pressão em repouso é indeterminada. Não costuma acrescentar quando tudo é completamente normal com e′ preservado, nem quando a PAE já está elevada em repouso.
| Resultado | E/e′ | TR |
|---|---|---|
| Definitivamente anormal | Médio ≥ 14 ou septal ≥ 15 | > 3,2 m/s |
| PAE normal | Médio/septal < 10 | < 2,8 m/s |
| ICFEP provável | > 14 | > 2,8 e < 3,2 m/s |
Aplicação prática
Os mesmos exemplos estão disponíveis como botões na ferramenta.
e′ preservado, E/e′ 8, TR 2,4, LARS 35%, LAVi 25 e E/A 1,5. Nenhum marcador confirma disfunção; os três marcadores iniciais de PAE são normais.
e′ reduzido, E/A 0,60, E/e′ 9 e PASP 30. Há relaxamento anormal com PAE normal em repouso. Se houver dispneia, o exame não encerra a investigação.
e′ reduzido, E/e′ 16, PASP 45 e E/A 1,4. As três variáveis indicam PAE elevada; como E/A < 2, a graduação é 2.
e′ reduzido, E/e′ 18, PASP 55 e E/A 2,3. PAE elevada com padrão de enchimento restritivo: grau 3.
e′ reduzido, E/e′ 12 e PASP 42, com E/A 1,2. Duas das três variáveis são anormais: use LARS, S/D, LAVi ou TRIV. LARS 16% resolve o caso a favor de PAE elevada.
Chamar todo e′ reduzido de “grau 1” ou toda TR elevada de “PAE elevada”. O algoritmo exige a combinação e, nos discordantes, uma segunda camada confiável.
Fechamento do exame
A recomendação orienta relatar função diastólica e pressão de enchimento sempre que possível, além das medidas usadas para sustentar a conclusão.
Velocidades E e A mitrais, E/A, e′ septal e lateral, E/e′ médio (ou o lado disponível), TR máxima e PASP quando estimável. Registre ritmo, frequência cardíaca e pressão arterial.
Inclua LARS, LAVi, S/D ou fração de enchimento sistólico da veia pulmonar, duração A, duração Ar, TRIV e demais variáveis suplementares que mudaram a conclusão.
Dúvidas frequentes
Não. Nenhuma medida isolada estima PAE em todas as situações. E/e′ faz parte de uma combinação e tem limitações em doença mitral, MAC, transplante e outras populações.
Não necessariamente. O AE pode ainda não ter remodelado em elevação recente ou intermitente da pressão. O LAVi também não acompanha bem mudanças rápidas.
Não isoladamente. No fluxo principal, grau 1 requer e′ reduzido, E/e′ e PASP/TR normais, com E/A ≤ 0,8. Idade, ritmo, frequência e qualidade da amostra também importam.
Na Figura 2, o marcador de diagnóstico é > 14. Na Figura 3, o marcador de PAE é ≥ 14. A ferramenta respeita essa diferença de operador.
O laudo descreve grau 1 e PAE normal em repouso, mas a investigação clínica não deve parar: o eco diastólico de esforço é recomendado quando os sintomas permanecem sem explicação.
Fontes principais
Nagueh SF, Sanborn DY, Oh JK, et al. Recommendations for the Evaluation of Left Ventricular Diastolic Function by Echocardiography and for Heart Failure With Preserved Ejection Fraction Diagnosis: An Update From the American Society of Echocardiography. Journal of the American Society of Echocardiography. 2025;38:537–569. DOI: 10.1016/j.echo.2025.03.011.
ASE, 2025. Guidelines for the Echocardiographic Assessment of the Right Heart in Adults and Special Considerations in Pulmonary Hypertension. Journal of the American Society of Echocardiography. 2025;38:141–186. DOI: 10.1016/j.echo.2025.01.006. Usada para a estimativa da pressão atrial direita pela cava e da PSAP a partir do gradiente da TR.
Ferramenta educacional de apoio ao raciocínio. Não substitui revisão das imagens, protocolo do laboratório, integração clínica ou mensuração invasiva quando indicada. A estimativa pela cava é menos confiável em ventilação com pressão positiva; TR grave ou envelope incompleto podem invalidar o gradiente. PSAP por ecocardiografia pressupõe ausência de obstrução entre VD e artéria pulmonar.