Revisão comentada · Dr. Guilherme Moura · Baseada no artigo original da ASE (JASE 2018)
Ecocardiografia · Cardiopatia estrutural · TAVI
Ecocardiografia no implante transcateter de valva aórtica (TAVI)
Do diagnóstico da estenose aórtica ao laudo pós-implante: anatomia da raiz, medida correta da VSVE, estenose de baixo gradiente, planejamento 3D, guia por ETE na sala, graduação da regurgitação paravalvar e complicações — com as figuras originais traduzidas e casos clínicos comentados.
Hahn RT, Nicoara A, Kapadia S, Svensson L, Martin R. “Echocardiographic Imaging for Transcatheter Aortic Valve Replacement”. Focus Topic: Echocardiography in Structural Heart Disease Interventions — State-of-the-Art Reviews. J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33. doi:10.1016/j.echo.2017.10.022.
Não é uma diretriz: é uma revisão de estado da arte publicada pela American Society of Echocardiography (ASE) no JASE em abril de 2018. Por isso o texto não traz classes de recomendação nem níveis de evidência próprios. Quando o artigo cita classes das diretrizes AHA/ACC (por exemplo, na Figura 3), elas aparecem aqui com as cores clínicas habituais e a indicação “diretriz citada”.
O artigo reflete o cenário de 2017–2018: indicação de TAVI classe I em risco cirúrgico proibitivo ou alto e classe IIa em risco intermediário (atualização AHA/ACC 2017). Desde então, diretrizes mais recentes ampliaram as indicações e novas gerações de próteses chegaram ao mercado; esta página reproduz fielmente o que o artigo afirma, sem atualizar condutas por conta própria.
Material educacional. Não substitui o julgamento clínico nem as diretrizes vigentes. Os nomes de dispositivos (Tabela 3) correspondem aos citados em 2018, alguns então em investigação. Figuras e tabelas reproduzidas de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33 (© American Society of Echocardiography), com tradução dos rótulos para fins educacionais.
Três camadas estão sempre separadas: 📄 O que o artigo afirma (pontos-chave, tradução fiel do conteúdo, com o local de origem) · 📖 Texto de suporte (síntese dos dados e estudos citados) · 🎓 Interpretação didática (leitura prática do autor desta revisão, nunca misturada com o texto do artigo).
Classes citadas pelo artigo (diretrizes AHA/ACC): Classe I Classe IIa Classe IIb · referência de origem: Tabela 1 Figura 3.
Terminologia: o original usa TAVR (transcatheter aortic valve replacement); aqui usamos TAVI, termo consagrado no Brasil. THV = prótese (valva) transcateter. PAR = regurgitação paravalvar (RPV, “leak” paravalvar).
📚 Siglas usadas nesta revisãoAbrir lista de siglasVer
2D/3D, bi/tridimensional · ACC, American College of Cardiology · ACD, artéria coronária direita · AG, anestesia geral · AHA, American Heart Association · AVA, área valvar aórtica · AVAi, AVA indexada · CCD/CCE/CNC, cúspides coronariana direita, coronariana esquerda e não coronariana · CIV, comunicação interventricular · CW, Doppler contínuo · DVI, índice adimensional (Doppler velocity index; razão VTI ou velocidade VSVE/valva) · EAo, estenose aórtica · ECR, ensaio clínico randomizado · ELI, índice de perda de energia (energy loss index) · ETE/ETT, ecocardiograma transesofágico/transtorácico · FEVE, fração de ejeção do VE · GM, gradiente médio · IAo, insuficiência (regurgitação) aórtica · IM/IT, insuficiência mitral/tricúspide · JST, junção sinotubular · MPR, reconstrução multiplanar · PAR/RPV, regurgitação paravalvar · PHT, tempo de meia-pressão · PW, Doppler pulsado · SC, sedação consciente · SIV, septo interventricular · SLG, strain longitudinal global · SV, seios de Valsalva · TAVI, implante transcateter de valva aórtica · TCE, tronco da coronária esquerda · TCMD, tomografia computadorizada multidetectores (MSCT) · TVA, troca valvar aórtica · VARC, Valve Academic Research Consortium · VD/VE, ventrículo direito/esquerdo · VS/VSi, volume sistólico/indexado · VSVE, via de saída do VE · VTI, integral velocidade-tempo · Zva, impedância valvuloarterial.
🔤 Siglas do artigo original em inglês (LVOT, TEE, MSCT, PAR…) com o termo completo e a tradução: veja o glossário completo.
🔥 O que você precisa lembrar deste artigo
Os quatro “Highlights” oficiais do artigo, desdobrados em FAZER · NÃO FAZER · CONSIDERAR.
O ecocardiografista é membro do Heart Team
O imagiologista participa da seleção, do planejamento, da sala e do seguimento; precisa conhecer a anatomia relevante para a prótese e cada passo do implante.
Eco é o método de escolha para morfologia e função
Número de cúspides, cálcio, gravidade da EAo, resposta do VE e valvopatias associadas são definidos pelo eco.
Eco complementa a TCMD no planejamento
A TCMD virou padrão para anel, acesso e coronárias, mas o ETE 3D mede anel, área e perímetro com resultados comparáveis, sem radiação nem contraste.
Eco é essencial na sala e no pós
Posição da prótese, leak paravalvar, derrame, obstrução coronariana, IM nova e ruptura: diagnóstico em tempo real.
Medir a VSVE abaixo do anel
Medir 5–10 mm abaixo do anel (sobretudo com septo sigmoide) subestima a AVA pela equação de continuidade.
Graduar leak por área ou comprimento do jato
A gravidade da RPV não deve ser avaliada pela área nem pelo comprimento do jato colorido.
Escore de cálcio no baixo fluxo
Na EAo de baixo gradiente, o cálcio valvar na TCMD (≥1.275 UA em mulheres; ≥2.065 UA em homens) ajuda a separar EAo verdadeira de pseudograve.
Abordagem multijanela
Olhar só a janela apical subestima a gravidade em até 50% dos pacientes; a paraesternal direita costuma revelar velocidades maiores.
Varredura completa da prótese
Do ventrículo à aorta em eixo curto, com a VSVE logo abaixo do stent, para localizar, contar e graduar os jatos de forma multiparamétrica.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Highlights” e Introdução (p. 405-7).
1Anatomia da raiz aórtica: o que importa para a TAVI
A raiz aórtica é um complexo — valva, anel, seios de Valsalva e junção sinotubular — e cada componente tem implicação direta no tamanho da prótese, no risco de obstrução coronariana e no risco de distúrbio de condução.
- A caracterização do complexo da raiz aórtica (valva, anel, seios de Valsalva e junção sinotubular) é crítica para o planejamento e o sucesso da TAVI.
- O anel anatômico corresponde às linhas semilunares de inserção dos folhetos; porém a medida do anel usada para dimensionar a prótese é feita nos pontos de inserção mais basais (ventriculares) dos folhetos — o anel ventricular, um anel “virtual”, já que mais da metade da sua circunferência é formada pela base dos triângulos interfolhetos.
- O óstio da coronária esquerda costuma estar na porção posterior do seio esquerdo; o da direita, um pouco mais anterior e superior no seio direito. A posição mais baixa da coronária esquerda aumenta seu risco de obstrução por um folheto calcificado.
- O feixe atrioventricular corre no topo do septo muscular, sob o septo membranoso, onde se divide em ramos direito e esquerdo — por isso fica sob risco de lesão na TAVI, a depender em parte da profundidade do implante.
- A valva normal tem três folhetos sustentados pelos seios esquerdo, direito e não coronariano.
- O folheto coronariano direito repousa sobre a porção muscular do septo interventricular; o não coronariano é adjacente ao septo membranoso e ao folheto anterior mitral; o coronariano esquerdo é contínuo com o folheto anterior mitral (cortina aortomitral) e com o septo muscular.
- Entre as linhas de inserção semilunares ficam os triângulos (trígonos) fibrosos interfolhetos.
- As coronárias nascem a distâncias variáveis da base das cúspides esquerda e direita.

O nó atrioventricular situa-se tipicamente no assoalho do átrio direito, logo posterior e inferior ao septo membranoso (região em azul). O nó e o feixe AV correm então no topo do septo muscular, sob o septo membranoso, onde se dividem em ramos esquerdo e direito.
ACD, artéria coronária direita; ant., anterior; post., posterior; SIV, septo interventricular; TCE, tronco da coronária esquerda.
Nota de fidelidade: a legenda original diz “aortic valve node”; pelo contexto (e pela própria figura, que rotula “A-V node”), trata-se do nó atrioventricular. No texto do artigo, a frase sobre o trajeto do feixe AV aparece repetida em sequência; foi reproduzida uma vez.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
Valva aórtica bicúspide
- A bicúspide foi critério de exclusão dos primeiros ensaios de TAVI e pode associar-se a piores desfechos do procedimento que a valva trivalvulada.
- Diferenças anatômicas: anel maior e mais circular, seios de Valsalva e aorta ascendente maiores e calcificação anular mais excêntrica — o que pode contribuir para mais RPV e mais distúrbios de condução após a TAVI.
- O Bicuspid TAVR Registry mostrou boas taxas de sucesso com próteses de nova geração; dimensionamento pela TCMD e técnicas de implante aprimoradas podem mitigar as complicações.
- Classificação de Sievers e Schmidtke: tipo 0 (sem rafe), tipo 1 (uma rafe, mais comumente entre as cúspides coronarianas esquerda e direita) e tipo 2 (duas rafes). O tipo 1 com fusão esquerda-direita pode ter melhores desfechos pós-TAVI que os demais.
| Característica | Valva tricúspide | Valva bicúspide | Implicação citada pelo artigo |
|---|---|---|---|
| Anel | Oval | Maior e mais circular | Dimensionamento diferente; TCMD ajuda |
| Seios e aorta ascendente | — | Maiores | — |
| Cálcio anular | — | Mais excêntrico | Mais RPV e distúrbios de condução |
| Abertura sistólica (eixo curto) | Fluxo nas três comissuras | “Boca de peixe”, sem abertura na rafe | Diagnóstico pelo eco (seção 2) |
Quadro elaborado a partir do texto do artigo; “—” indica característica não detalhada no texto.
- Onde medir? No anel virtual (pontos basais de inserção), não na linha de coaptação nem 5–10 mm abaixo.
- Qual coronária preocupa? A esquerda, mais baixa e atrás — e o folheto coronariano esquerdo calcificado é o que a “empurra”.
- Por que BAV/BRE? O feixe está logo abaixo do septo membranoso; prótese mais funda = mais contato com o sistema de condução.
❓ Pergunta-chavePor que se diz que o anel aórtico usado na TAVI é “virtual”?Ver resposta
Resposta: porque o plano medido é o que une os pontos de inserção mais basais dos três folhetos (anel ventricular), e mais da metade da circunferência desse plano passa pela base dos triângulos interfolhetos, sem uma estrutura anatômica contínua.
💡 Não existe “anel” histológico circular: daí o erro sistemático das medidas lineares 2D (seção 7).
❓ Pergunta-chaveQue características da bicúspide explicam mais leak e mais marca-passo após TAVI?Ver resposta
Resposta: anel maior e mais circular, raiz e aorta ascendente maiores e cálcio anular mais excêntrico.
💡 O tipo 1 com fusão esquerda-direita parece ter melhores desfechos que outros fenótipos.
❓ Pergunta-chaveQual folheto é contínuo com o folheto anterior mitral?Ver resposta
Resposta: o coronariano esquerdo (cortina aortomitral), que também se relaciona com o septo muscular. O não coronariano é adjacente ao septo membranoso e ao folheto anterior mitral.
💡 Por isso cálcio na cortina aortomitral e implante baixo podem interferir com a valva mitral.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Anatomic Perspective” (p. 405-6) e Figura 1.
2Morfologia da valva aórtica e cálcio
Antes da TAVI é essencial distinguir bicúspide de tricúspide e descrever a quantidade e a distribuição do cálcio — inclusive fora dos folhetos.
- Distinguir bicúspide de tricúspide é essencial antes da TAVI; embora vários métodos avaliem valva e raiz, o diagnóstico de bicúspide é tipicamente feito pelo ecocardiograma.
- Eixo curto em sístole: abertura típica em “boca de peixe” e ausência de abertura na rafe. No eixo longo, o abaulamento sistólico (doming) pode ser outra pista.
- Com boa janela transtorácica e sem cálcio denso: sensibilidade >70% e especificidade >90%; ainda assim, a dúvida persiste em 10% a 15% dos pacientes.
- Com calcificação e redução da excursão sistólica, o Doppler colorido ajuda: na valva trivalvulada deve-se ver fluxo nas três comissuras.
- Além do número de cúspides, localização e gravidade do cálcio fazem parte da avaliação morfológica. A TCMD tornou-se o método principal para quantificar a carga de cálcio.
- Calcificação ectópica da VSVE prediz RPV.
- No baixo fluxo, a gravidade do cálcio ajuda a separar EAo verdadeiramente grave de pseudograve. Pontos de corte específicos por sexo para EAo grave: ≥1.275 UA em mulheres e 2.065 UA em homens.
- O cálcio valvar é menor nas mulheres mesmo após indexação por tamanho corporal ou área do anel, em linha com achados de mais fibrose nas mulheres.
| Corte | Achado | Comentário |
|---|---|---|
| Eixo curto, sístole | Abertura em “boca de peixe”; sem abertura na rafe | Achado principal |
| Eixo longo | Abaulamento sistólico (doming) | Pista adicional |
| Doppler colorido, eixo curto | Fluxo nas três comissuras = trivalvulada; ausência em uma comissura sugere fusão | Útil quando o cálcio limita a excursão |
| Desempenho (boa janela, pouco cálcio) | Sensibilidade >70%; especificidade >90% | Dúvida residual em 10%–15% |
Em idoso com valva muito calcificada, a imagem 2D “parece” bicúspide ou tricúspide com a mesma facilidade. Procure ativamente o fluxo colorido nas três comissuras; se a dúvida persistir, diga isso no laudo e sugira correlação com a TCMD — o artigo admite incerteza em até 15% dos casos.
Descreva no laudo o cálcio ectópico da VSVE (por exemplo, na face ventricular do folheto anterior mitral). Ele prediz leak paravalvar e também é fonte de erro na medida da VSVE (seção 3).
❓ Pergunta-chaveValva muito calcificada, mobilidade reduzida: como o Doppler colorido ajuda a contar as cúspides?Ver resposta
Resposta: na trivalvulada sem fusão comissural, vê-se fluxo colorido nas três comissuras; a ausência de fluxo em uma comissura sugere fusão (bicúspide).
💡 O movimento anormal das duas cúspides pode não ser percebido quando o cálcio reduz a excursão.
❓ Pergunta-chaveQuais os pontos de corte de escore de cálcio para EAo grave citados?Ver resposta
Resposta: ≥1.275 unidades arbitrárias em mulheres e 2.065 em homens (TCMD).
💡 Servem principalmente para separar EAo verdadeira de pseudograve no baixo fluxo.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Morphology of the Aortic Valve” (p. 406).
3Gravidade da estenose aórtica e as armadilhas da AVA
O eco define a gravidade da EAo e a resposta do coração a ela (remodelamento e função do VE, IM, hipertensão pulmonar). Os parâmetros dividem-se em dependentes e independentes do fluxo.
| Parâmetro | Leve | Moderada | Grave |
|---|---|---|---|
| Anatomia valvar | |||
|
|
| |
| Parâmetros quantitativos (dependentes do fluxo) | |||
| Velocidade de pico (m/s) | 2,0–2,9 | 3–3,9 | ≥4 |
| Gradiente médio (mmHg) | <20 | 20–39 | ≥40 |
| Parâmetros quantitativos (independentes do fluxo) | |||
| Índice Doppler (adimensional) | >0,5 | 0,26–0,5 | ≤0,25 |
| AVA (cm²) | >1,5 | 1,1–1,5 | ≤1,0 |
| AVA indexada (cm²/m²)* | >0,85 | 0,61–0,85 | ≤0,6 |
*Indexar a área valvar é particularmente importante em pacientes pequenos, com altura <135 cm (65 polegadas), superfície corporal <1,5 m² ou índice de massa corporal <22 kg/m².
Na primeira linha, a célula da coluna “Parâmetro” está vazia no original.
A medida da VSVE: o maior erro da equação de continuidade
O maior erro no cálculo da AVA é o diâmetro da VSVE elevado ao quadrado. Cuidados ao medi-lo na EAo:
- Medir no início a meio da sístole (quando a VSVE elíptica é mais circular), na imagem que mostra o maior diâmetro.
- Medir de borda interna a borda interna: do ponto em que a cúspide anterior (coronariana direita) encontra o septo anterior até o “anel virtual” posterior, onde o triângulo interfolhetos posterior encontra o folheto anterior mitral. Não usar o cálcio ectópico como borda.
- Medir abaixo do anel subestima a AVA em relação à derivada do cateterismo — especialmente com septo sigmoide.
- A AVA calculada com a VSVE medida no nível do anel é mais acurada e reprodutível.
- Como o erro está no diâmetro ao quadrado, a razão VVSVE/Vjato ou VTIVSVE/VTIvalva é bom indicador: índice Doppler ≤0,25 indica estenose grave.

Imagem biplanar simultânea, transtorácica (A, B) e transesofágica (C, D): uma valva aórtica adequadamente centrada no eixo longo (A ou C) mostra a inserção da cúspide coronariana direita (CCD) anteriormente (B ou D) e o trígono interfolhetos (entre a cúspide coronariana esquerda [CCE] e a não coronariana [CNC]) posteriormente. O diâmetro sagital máximo da VSVE (seta amarela) deve ser medido de borda interna a borda interna, do ponto de inserção da CCD/borda septal até o trígono posterior/borda do folheto anterior mitral. A medida deve evitar incluir o cálcio ectópico do folheto anterior mitral.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
- A planimetria 3D da valva e da área da VSVE é acurada, reprodutível e se compara bem à TCMD; alguns estudos sugerem que usar a área direta da VSVE na equação de continuidade dá AVA mais acurada.
- Porém, Clavel et al. compararam a equação de continuidade com a VSVE planimetrada na TCMD (“híbrido”) e a ecocardiográfica padrão: o híbrido não melhorou a correlação com o gradiente, a concordância gradiente–AVA nem a predição de mortalidade. Os limiares de excesso de mortalidade diferiram: AVA ≤1,0 cm² (eco) versus ≤1,2 cm² (híbrido).
- Esses achados e outros estudos de desfecho sustentam o uso continuado do diâmetro linear da VSVE para calcular a AVA, como recomendam as diretrizes.
- A ASE recomenda indexar a AVA à superfície corporal, sobretudo em pacientes pequenos (altura <135 cm, SC <1,5 m² ou IMC <22 kg/m²). A diretriz ACC usa AVAi ≤0,6 cm²/m² para EAo grave.
- Indexar pode não ser apropriado em obesos.
- Alguns autores propõem corte indexado <0,5 cm²/m², que reduziria inconsistências com os valores não indexados e poderia melhorar a predição de desfechos.
Armadilhas de medida (Tabela 2)
Imagens reproduzidas do artigo original; os textos dentro das imagens são anotações do equipamento (por exemplo, AoV VTI, Vmax, Pk Grad, Mn Grad) e foram mantidos. Toque/clique em cada imagem para ampliar.
EC, equação de continuidade.
Erros que SUBESTIMAM a AVA (fazem a EAo parecer mais grave): VSVE medida abaixo do anel · VSVE medida por dentro do cálcio ectópico.
Erros que SUPERESTIMAM a AVA: amostra do PW dentro da zona de aceleração · traçar o envelope tênue do PW em vez da velocidade modal.
Erros que SUBESTIMAM a gravidade pelo CW: feixe fora do eixo (duplo envelope) · janela única apical.
❓ Pergunta-chaveSe não confio na medida da VSVE, qual parâmetro uso?Ver resposta
Resposta: o índice Doppler (adimensional): VVSVE/Vjato ou VTIVSVE/VTIvalva; ≤0,25 indica estenose grave.
💡 Ele elimina o termo que mais erra (diâmetro ao quadrado), mas ainda depende da amostra correta do PW.
❓ Pergunta-chaveAVA planimetrada na TCMD e aplicada na continuidade é melhor que a do eco?Ver resposta
Resposta: no estudo de Clavel et al., não: não melhorou a concordância nem a predição de mortalidade, e o limiar de excesso de mortalidade mudou (≤1,2 cm² no método híbrido versus ≤1,0 cm² no eco).
💡 Misturar métodos exige limiares próprios; o artigo sustenta o diâmetro linear padrão.
❓ Pergunta-chaveQuando indexar a AVA e quando evitar?Ver resposta
Resposta: indexar sobretudo em pacientes pequenos (altura <135 cm, SC <1,5 m² ou IMC <22 kg/m²); pode não ser apropriado em obesos.
💡 Corte ACC: AVAi ≤0,6 cm²/m²; há proposta de <0,5 cm²/m².
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Assessment of Severity of AS” (p. 406-10), Tabela 1, Figura 2 e Tabela 2.
4EAo grave de baixo gradiente e planimetria
Até 40% dos pacientes com EAo têm hemodinâmica discordante: gradiente médio baixo com área valvar gravemente reduzida. Entender fluxo, FEVE e tempo de ejeção resolve a maior parte dos casos.
- Até 40% dos pacientes podem ter Doppler discordante: GM <40 mmHg com AVA ≤1,0 cm². Muitos têm baixo fluxo, definido como volume sistólico indexado <35 mL/m².
- As diretrizes AHA/ACC dividem a EAo grave sintomática (estágio D) em: D1 alto gradiente; D2 baixo fluxo/baixo gradiente com FEVE reduzida; D3 baixo gradiente com FEVE normal.
- D2 clássica (GM <40, AVA ≤1 cm², FEVE <50%): frequentemente associada a DAC, mas pode haver doença intrínseca do miocárdio ou desproporção de pós-carga. Como a área valvar é dependente do fluxo, usa-se o eco com dobutamina em dose baixa para aumentar o fluxo transvalvar evitando isquemia (protocolo nas diretrizes da ASE).
- D3 “paradoxal”: várias situações reduzem o fluxo com FEVE normal — taquicardia, bradicardia, hipertensão, cavidade pequena, disfunção diastólica grave, valvopatia mitral ou tricúspide grave, hipertensão pulmonar e disfunção do VD. As diretrizes AHA/ACC não defendem dobutamina com FE >50%; o escore de cálcio pela TCMD pode ser útil.
- Usando fluxo (normal >200 mL/s) e gradiente (alto >40 mmHg) podem ser gerados quatro categorias: fluxo normal/gradiente alto, fluxo normal/gradiente baixo, baixo fluxo/gradiente alto e baixo fluxo/gradiente baixo.
- O fluxo normal com gradiente baixo é mais difícil de explicar; pode decorrer de usar o volume sistólico (VSi ≥35 mL/m²) para definir “fluxo normal”. Fluxo (mL/s) = volume sistólico ÷ tempo de ejeção — pacientes com volume sistólico normal e tempo de ejeção prolongado podem ter gradiente baixo.

Classificação dos tipos de EAo incluindo apenas as categorias associadas a sintomas e/ou FEVE reduzida. Não inclui o estágio C1 (EAo de alto gradiente, assintomática, com FEVE preservada). O ponto de interrogação indica rótulos de estágio ou indicações de troca valvar aórtica (TVA) propostos, mas não incluídos nas diretrizes, que precisarão ser testados e validados.
Leitura em texto: EAo moderada (AVA >1,0 cm², AVAi >0,6 cm²/m² e GM <40 mmHg) com FEVE reduzida e sintomas (estágio B2?) → indicação de TVA: requer ECR. EAo de alto gradiente (GM ≥40 mmHg; AVA ≤1,0 cm² e AVAi ≤0,6 cm²/m²) com FEVE reduzida sem sintomas (estágio C2) → I; com sintomas (estágio D1) → I. EAo de baixo gradiente (AVA ≤1,0 cm², AVAi ≤0,6 cm²/m² e GM <40 mmHg): FEVE <50% → “clássica” baixo fluxo/baixo gradiente (estágio D2) → IIa; FEVE ≥50% e VSi <35 mL/m² → “paradoxal” baixo fluxo/baixo gradiente com sintomas (estágio D3) → IIa; FEVE ≥50% e VSi ≥35 mL/m² → fluxo normal/baixo gradiente com sintomas (estágio D4?) → IIa?
As classes são as das diretrizes AHA/ACC citadas pelo artigo. AVAi, AVA indexada; ECR, ensaio clínico randomizado; GM, gradiente médio; VSi, volume sistólico indexado. Reproduzida com permissão de Clavel et al.
Nota de fidelidade: na figura original, as caixas de indicação IIa aparecem em cor salmão; aqui, no texto, foram usadas as cores clínicas padrão da página para as classes. A figura traduzida mantém as cores originais.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
Planimetria
- A planimetria direta 2D e 3D do orifício estenótico também pode definir a gravidade.
- Okura et al.: a planimetria 2D transtorácica teve baixo erro-padrão de estimativa em relação à área medida por planimetria ao ETE, à equação de continuidade e à fórmula de Gorlin (0,04, 0,09 e 0,10 cm², respectivamente).
- A planimetria e a fórmula de Gorlin medem a área anatômica (Gorlin usa coeficiente de correção para a contração do fluxo). A contração do fluxo forma a vena contracta além do orifício anatômico; a área da vena contracta é a área efetiva calculada pela equação de continuidade — teoricamente diferente da planimetrada.
- A AVA planimetrada em 3D pode ser mais acurada (permite alinhar as pontas de todos os folhetos no eixo curto); pode ser maior que a 2D e mostra menor diferença média em relação à equação de continuidade.
| Cenário | FEVE | VSi | Ferramenta citada |
|---|---|---|---|
| D2 — baixo fluxo/baixo gradiente “clássica” | <50% | Geralmente <35 mL/m² | Eco com dobutamina em dose baixa |
| D3 — “paradoxal” | ≥50% | <35 mL/m² | Escore de cálcio na TCMD (dobutamina não defendida com FE >50%) |
| Fluxo normal/baixo gradiente (D4?, proposto) | ≥50% | ≥35 mL/m² | Considerar fluxo = VS ÷ tempo de ejeção (tempo de ejeção prolongado) |
Na discordância, refaça primeiro o básico da Tabela 2: VSVE no anel, PW fora da aceleração, envelope modal, CW multijanela. Muitas “paradoxais” são erro de medida. Depois, procure as causas de baixo fluxo citadas (hipertensão, cavidade pequena, FA/taquicardia, IM ou IT grave, disfunção de VD) e só então leve ao cálcio da TCMD.
❓ Pergunta-chaveQual a diferença conceitual entre AVA planimetrada e AVA pela continuidade?Ver resposta
Resposta: a planimetria (e Gorlin) mede a área anatômica; a continuidade mede a área efetiva (vena contracta), que é menor por causa da contração do fluxo.
💡 Discrepância pequena é esperada; a 3D aproxima as duas.
❓ Pergunta-chavePor que dobutamina não é usada no D3?Ver resposta
Resposta: as diretrizes AHA/ACC citadas não defendem dobutamina com FE >50%; nesses casos o escore de cálcio pela TCMD pode ajudar.
💡 Dobutamina é ferramenta do D2 (FEVE reduzida).
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Low-Gradient, Severe AS” e “Planimetry” (p. 407-10), Figura 3.
5Outras medidas de gravidade e teste de esforço
Recuperação de pressão, índice de perda de energia e impedância valvuloarterial não são de uso rotineiro, mas trazem informação prognóstica em subgrupos. O teste de esforço define o status de sintomas.
- Resistência valvar, recuperação de pressão, perda de energia e complacência/impedância arterial não são recomendadas para uso clínico rotineiro, mas algumas têm valor prognóstico em subgrupos.
- Recuperação de pressão: pode explicar diferenças entre gradientes do cateterismo e do eco. A queda de pressão líquida entre VE e aorta ascendente é a medida fisiopatologicamente relevante e mais representativa da área geométrica.
- ELI (índice de perda de energia) considera a área valvar efetiva e a área da aorta ascendente; é menos dependente do fluxo que gradiente ou velocidade, incorpora a recuperação de pressão e equivale aproximadamente à área efetiva do cateterismo. Num subestudo do SEAS, o ELI reclassificou 47,5% dos pacientes de grave para não grave. A perda de energia é mais relevante em aortas pequenas (<30 mm). ELI ≤0,5–0,6 cm²/m² é compatível com EAo grave.
- Zva (impedância valvuloarterial) reúne a carga valvar e a resistência vascular. Hipertensão arterial concomitante está presente em 35%–51% dos pacientes com EAo. Hachicha et al.: mortalidade 2,76 vezes maior com Zva ≥4,5 e 2,30 vezes com Zva entre 3,5 e 4,5 mmHg·mL−1·m², após ajuste.
AEO, área efetiva do orifício; AA, área da aorta ascendente; SC, superfície corporal; PAS, pressão arterial sistólica; ΔPmédio, gradiente médio; VSi, volume sistólico indexado.
Teste de esforço na EAo
Indicações: definir a etiologia dos sintomas na doença não grave, confirmar o status assintomático na doença grave e avaliar pacientes com disfunção valvar e miocárdica concomitante. Pelo mau prognóstico associado ao início dos sintomas, determinar o status sintomático é papel importante do teste em quem relata não ter sintomas com EAo grave.
Critérios de teste ergométrico positivo na EAo:
- surgimento de sintomas (dispneia limitante, dor ou aperto torácico, tontura, síncope);
- arritmias (três extrassístoles ventriculares consecutivas ou outras arritmias ventriculares complexas);
- pressão arterial que não sobe 20 mmHg, ou queda ≥10 mmHg;
- infradesnível de ST horizontal ou descendente (≥1 mm em homens, ≥2 mm em mulheres) ou infradesnível ≥5 mm medido 80 ms após o ponto J.
Mesmo com teste negativo, o prognóstico pode não ser benigno (risco de sintomas e morte súbita). Em EAo moderada ou grave, aumento do gradiente médio ≥18–20 mmHg ao esforço prediz progressão para sintomas e eventos adversos. O ensaio Early-TAVR (NCT03042104) estava recrutando à época para testar a TAVI em assintomáticos.
Em EAo grave “assintomática” no consultório, o teste ergométrico desmascara sintomas em muitos idosos que reduziram a atividade sem perceber. Registre não só sintoma, PA e ECG, mas também — se fizer eco de esforço — o delta do gradiente médio: aumento ≥18–20 mmHg é marcador de risco.
❓ Pergunta-chaveEm que paciente o ELI tem mais chance de reclassificar a gravidade?Ver resposta
Resposta: quando a aorta ascendente é grande, a recuperação de pressão é pequena; em aortas pequenas (<30 mm) a perda de energia é mais relevante e o ELI pode reclassificar (47,5% no subestudo do SEAS).
💡 ELI ≤0,5–0,6 cm²/m² é compatível com EAo grave.
❓ Pergunta-chaveQuais respostas tornam o teste ergométrico positivo na EAo?Ver resposta
Resposta: sintomas, arritmia ventricular complexa, PA que não sobe 20 mmHg ou cai ≥10 mmHg, e infradesnível de ST (≥1 mm homens, ≥2 mm mulheres, ou ≥5 mm a 80 ms do J).
💡 Teste negativo não garante evolução benigna.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Other Measures of AS Severity” e “Stress Testing in AS” (p. 410-11).
6Ventrículo esquerdo, strain e valvopatias associadas
Toda avaliação de EAo inclui tamanho das câmaras, função ventricular e valvopatias concomitantes — elas mudam o prognóstico após a TAVI.
- Na EAo crônica, o aumento da espessura parietal mantém o estresse e a FE normais; são frequentes o remodelamento concêntrico (massa normal) e a hipertrofia concêntrica (massa aumentada).
- A parede espessada associa-se a alterações do manuseio do cálcio, do citoesqueleto, apoptose e mais colágeno, com redução detectável da deformação e da complacência antes de qualquer queda da FE — evoluindo para menor volume sistólico, pressões de enchimento elevadas e IC com FE preservada. Por isso strain e função diastólica podem ser marcadores precoces.
- O consenso EACVI/ASE de padronização do strain define terminologia, dados armazenados, modos de medida, definições e saída de resultados, para reduzir a variabilidade entre fabricantes.
- FE: sobrecarga pressórica prolongada (sobretudo com hipertensão) reduz FEVE e débito; FE reduzida e função renal ruim associam-se a mais mortalidade, com ou sem intervenção. Metanálise de 26 estudos (~6.900 pacientes): FE basal baixa = maior mortalidade após TAVI, apesar de melhora significativa e sustentada da função do VE.
- SLG: com FE normal, quanto mais grave a EAo, menor o SLG. SLG prediz mortalidade por todas as causas e superou escore de risco, cardiopatia isquêmica e FE em pacientes encaminhados à cirurgia. No baixo fluxo/baixo gradiente com FE preservada, SLG associou-se de forma independente à sobrevida após troca valvar; com FE reduzida, o SLG sob dobutamina acrescentou valor prognóstico ao de repouso. O SLG 3D pode prever melhor que o 2D. Em EAo moderada/grave com DAC, strain longitudinal apical e médio piores predisseram estenose coronariana significativa.
- Assintomáticos: Taniguchi et al. (pareamento por propensão) — incidência em 5 anos de morte por todas as causas 15,4% vs 26,4% (P = ,009) e de hospitalização por IC 3,8% vs 19,9% (P < ,001), menores na estratégia de troca valvar inicial vs conservadora. O strain foi postulado como marcador precoce para definir o momento da intervenção.
- Carasso et al.: assintomáticos com EAo grave tinham strain longitudinal baixo com strain circunferencial apical e rotação supranormais (compensação); nos sintomáticos, o longitudinal era ainda menor e sem compensação circunferencial. Outros autores: ajustando para gravidade e FE, apenas o strain longitudinal basal (não o SLG) predisse status sintomático; após TAVI, a melhora do SLG pode vir só dos segmentos basais e médios.
O efeito da função diastólica no desfecho é controverso. Biner et al.: sobrevida em 1 ano significativamente maior com E/e′ <15 do que com E/e′ ≥15, tanto em sintomáticos com FEVE ≤50% quanto em assintomáticos com FEVE >50%. E/e′ elevado pode associar-se a maior mortalidade/morbidade hospitalar. Outros estudos mostraram melhora diastólica após a intervenção sem associação entre função diastólica basal e desfechos.
Valvopatias concomitantes
| Lesão | Prevalência | Evolução após intervenção | Impacto prognóstico |
|---|---|---|---|
| IM moderada/grave (PARTNER IA, Barbanti et al.) | ~20% | Melhorou em 69,4% (cirurgia) e 57,7% (TAVI); piora foi incomum | Mortalidade em 2 anos maior só no grupo cirúrgico (49,8% vs 28,1%; HR ajustado 1,73; IC 95% 1,01–2,96; P = ,04); sem efeito adverso no grupo TAVI. IM persistente não afetou o remodelamento do VE |
| IT moderada/grave (PARTNER IIB) | 26,6% | ~30% melhoraram para menos que moderada em 30 dias — associada a melhor sobrevida em 1 ano | IT mais grave associada a maior mortalidade em 1 ano (P < ,001), assim como aumento de AD/VD e disfunção de VD. Com IM mínima, IT grave manteve associação após ajuste (HR 3,20; IC 95% 1,50–6,82; P = ,003); com IM moderada/grave concomitante, não |
Pacientes com IT moderada/grave também tinham menor FEVE e VSi, AE maior, mais IM moderada/grave, AD e VD maiores, pior função de VD e PSVD mais alta. A literatura cirúrgica sobre tratar IM significativa concomitante à EAo é conflitante.
- Geometria do VE (remodelamento × hipertrofia) e massa.
- FEVE e SLG — sobretudo se FE normal e paciente “assintomático”.
- E/e′ (≥15 marcou pior sobrevida em 1 ano).
- IM: grau e mecanismo; IT: grau, VD e AD — a IT importa muito, especialmente com IM mínima.
❓ Pergunta-chaveIM moderada funcional antes da TAVI: deve contraindicar o procedimento?Ver resposta
Resposta: pelos dados do PARTNER IA citados, não: a IM melhorou em 57,7% após TAVI, raramente piorou, e não houve aumento de mortalidade em 2 anos no grupo TAVI (o excesso foi no grupo cirúrgico).
💡 Documente mecanismo e grau para comparar depois.
❓ Pergunta-chaveFE normal e EAo grave: por que medir strain?Ver resposta
Resposta: porque a queda da deformação longitudinal precede a queda da FE e prediz mortalidade; foi postulado como marcador precoce para o momento da intervenção em assintomáticos.
💡 Um estudo sugeriu que o strain longitudinal basal, mais que o global, se relaciona com sintomas.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Detection of Associated Ventricular and Valvular Abnormalities” (p. 411-12).
7Próteses transcateter e planejamento pré-implante
O imagiologista eficaz no Heart Team precisa entender a anatomia relevante para cada dispositivo e cada passo do implante. A TCMD é padrão para anel, acesso e coronárias; o eco é insubstituível no ambiente dinâmico da sala.
- A imagem multimodal no programa de TAVI inclui TCMD, ressonância, fluoroscopia e eco, com os objetivos de seleção adequada, guia do procedimento e detecção de complicações.
- A TCMD tornou-se o padrão pré-procedimento para área e perímetro do anel, acesso vascular, posição das coronárias, carga de cálcio e ângulos de projeção fluoroscópica; mas a dinâmica da sala exige comunicação constante e adaptação, e para isso o eco é a modalidade ideal.
- Os achados intraprocedimento devem ser interpretados no contexto da hemodinâmica, influenciada pela anestesia e pelo procedimento; o ETE intraprocedimento, com 3D em tempo real, fornece informação fisiológica contínua no planejamento, no guia e na detecção de complicações.
Exemplos de próteses (Tabela 3)
IAo, insuficiência aórtica; JST, junção sinotubular; PET, polietileno tereftalato. Situação regulatória referente a 2018.
Avaliação pré-implante
| Estrutura | Itens a avaliar |
|---|---|
| Valva e raiz aórtica — morfologia da valva |
|
| Dimensões do complexo aortoanular |
|
| Hemodinâmica da valva aórtica |
|
| VSVE |
|
| Valva mitral |
|
| Tamanho e função do VE |
|
| Coração direito |
|
| Pericárdio |
|
No original, a tabela é uma lista hierárquica de uma coluna; aqui foi organizada em duas colunas, sem alteração do conteúdo.
- A avaliação pré-procedimento da raiz é fundamental para escolher a prótese: anel e sua geometria, raiz e VSVE, angulação da aorta (ângulo aortoventricular), altura das coronárias e quantidade/distribuição do cálcio.
- Subdimensionar pode causar RPV ou embolização; superdimensionar pode causar ruptura da raiz, oclusão coronariana ou distúrbios de condução.
- O eco 2D subestima consistentemente o anel, por três razões: (1) uma medida linear supõe anel circular, mas ele é quase sempre oval; (2) o plano sagital pode não cortar a dimensão máxima (imagem de ponto de inserção a ponto de inserção, em vez de inserção ao trígono fibroso); (3) o eixo longo costuma representar o menor diâmetro.
- Estudos mostraram menos RPV mais que discreta quando o anel foi dimensionado pela TCMD em vez do eco 2D.
- O eco 3D supera essas limitações (área e perímetro). O ETT 3D não tem resolução espacial suficiente; a reconstrução multiplanar do ETE 3D dá resultados comparáveis à TCMD, sem radiação nem contraste. Software mitral usado para planimetria indireta do anel: ETE 3D e TCMD previram RPV ≥ discreta com acurácia equivalente.
- Também medir seios de Valsalva, aorta na JST e distância dos óstios ao anel. Como o óstio esquerdo está no plano coronal, sua altura só é medida por reconstrução multiplanar.
- Registro multicêntrico de obstrução coronariana após TAVI: a coronária esquerda foi a mais acometida (88,6%), com altura média do óstio menor (10,6 ± 2,1 vs 13,4 ± 2,1 mm) e seio de Valsalva menor (28,1 ± 3,8 vs 31,9 ± 4,1 mm) que nos controles (P < ,001).
- Descrever o cálcio na raiz, sua extensão para VSVE e cortina aortomitral e a proximidade dos óstios. Avaliar hipertrofia septal basal e medioventricular: há relatos de obstrução dinâmica subvalvar com instabilidade após o implante.

(A) Reconstrução multiplanar do plano anular virtual (quadro vermelho) obtida alinhando o plano transverso de eixo longo (quadro verde) e o plano coronal (quadro azul); o anel é medido por planimetria direta. (B) Método de planimetria indireta, que usa um pacote de software mitral (QLAB MVQ, Philips Medical Systems, Andover, MA), “enganando” o sistema para medir o anel aórtico como se fosse mitral. Os dois quadrantes superiores de (B) mostram o posicionamento dos marcadores anulares “anterior” (A), “posterior” (P), “posteromedial” (PM) e “anterolateral” (AL). Em rotações sucessivas dos dois planos ortogonais de eixo longo (quadros verde e vermelho), o plano anular é identificado e mostrado automaticamente no eixo curto do plano azul (pontos azuis). O plano anular completo é criado sem planimetrar de fato no eixo curto — por isso, método “indireto”. Ambos fornecem área, perímetro e dimensões máxima e mínima do anel.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.

Como a coronária esquerda está no plano coronal, medir a altura do tronco exige imagem 3D e reconstrução. Na reconstrução multiplanar (A), o plano azul é primeiro alinhado ao eixo longo da aorta a partir do plano sagital (vermelho). Depois, o plano azul é alinhado, no plano transverso (verde), com a coronária esquerda (seta vermelha). O plano coronal (azul) passa a ser o plano da coronária esquerda. Esse plano (B) é usado para medir a distância do ponto de inserção da cúspide coronariana esquerda ao óstio da coronária esquerda (seta vermelha) e o comprimento da cúspide coronariana esquerda (seta verde).
Figura sem textos a traduzir além de números e rótulos D1/D2 do equipamento.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
Imagine um anel oval de 21 × 27 mm. O corte paraesternal de eixo longo quase sempre passa pelo menor diâmetro (ântero-posterior). Se você usar 21 mm como “o anel”, escolherá uma prótese pequena — e o resultado clássico é leak paravalvar. Área e perímetro (TCMD ou ETE 3D) resolvem isso.
❓ Pergunta-chaveQuais as três razões pelas quais o eco 2D subestima o anel?Ver resposta
Resposta: anel oval tratado como circular; plano que não corta a dimensão máxima (inserção a inserção em vez de inserção ao trígono); e o eixo longo representa geralmente o menor diâmetro.
💡 Subdimensionar → RPV ou embolização; superdimensionar → ruptura, oclusão coronariana ou distúrbio de condução.
❓ Pergunta-chaveQue achados anatômicos se associaram à obstrução coronariana no registro citado?Ver resposta
Resposta: envolvimento da coronária esquerda (88,6%), altura do óstio menor (10,6 vs 13,4 mm) e seios de Valsalva menores (28,1 vs 31,9 mm).
💡 A altura da coronária esquerda só se mede por reconstrução multiplanar (plano coronal).
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Imaging for TAVR” e “Predeployment Imaging” (p. 412-16), Tabelas 3 e 4, Figuras 4 e 5.
8ETE intraprocedimento: fios, valvoplastia e posicionamento
A grande vantagem do ETE é a monitorização contínua de todas as etapas. Na instabilidade aguda, ele diagnostica de imediato as complicações do fio, do sistema de entrega ou da valvoplastia.
| Etapa | O que o ETE faz |
|---|---|
| Posicionamento dos fios (marca-passo, pigtail e fio-guia) |
|
| Valvoplastia aórtica por balão |
|
| Posicionamento e implante da prótese |
|
| Canulação transapical |
|
| Avaliação pós-implante |
|
JST, junção sinotubular.
- Fios habitualmente confirmados pela fluoroscopia, mas visíveis ao eco: marca-passo na ponta do VD, fio-guia rígido transvalvar no VE e pigtail nos seios de Valsalva — no nível da cúspide não coronariana (próteses autoexpansíveis) ou da coronariana direita (expansíveis por balão).
- Fios podem causar trombo, perfuração ventricular, derrame pericárdico e lesão do aparelho mitral com piora da IM.
- A pré-dilatação por valvoplastia com estimulação ventricular rápida pode ser feita; a aortografia durante a insuflação informa sobre possível oclusão coronariana por folhetos/cálcio e sobre o tamanho adequado (leak em torno do balão insuflado).
- Após desinsuflar, se houver instabilidade, excluir: derrame/tamponamento por ruptura da raiz, disfunção grave de VE ou VD por oclusão coronariana aguda, ou IAo aguda grave.
- Implante alto (muito aórtico): embolização para a aorta, lesão da íntima, IAo ou obstrução dos óstios. Implante baixo (muito ventricular): interferência no aparelho mitral e IM, lesão do nó AV e distúrbios de condução, ou embolização para o VE.
- SAPIEN 3: profundidade final 1–2 mm abaixo do anel; como encurta apenas pelo lado ventricular, o posicionamento antes do implante foca a extremidade aórtica, que deve cobrir os folhetos nativos e ficar abaixo da JST.
- CoreValve Evolut R: profundidade ótima 2–4 mm abaixo do anel. A liberação é controlada, em minutos; inicialmente a borda posterior fica mais alta que a anterior e, após a liberação completa, a prótese pivota, a borda anterior sobe e a valva se alinha ao eixo da aorta.

(A) Imagem fluoroscópica dos fios mostrando as posições relativas do cateter pigtail no seio de Valsalva coronariano direito, do fio de marca-passo no VD e do fio-guia no VE. (B) Insuflação máxima do balão: a cúspide coronariana esquerda calcificada aparece ocluindo o tronco da coronária esquerda; além disso, a injeção de contraste revela leak significativo em torno do balão subdimensionado, indicando risco de regurgitação paravalvar.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.

(A) Prótese expansível por balão antes do implante: a borda aórtica está abaixo da junção sinotubular e cobrindo os folhetos. Após o implante (B), a borda ventricular deve ficar 1 a 2 mm abaixo do anel, mas a posição final pode depender do grau de superdimensionamento. (C) Prótese autoexpansível antes do implante: as bordas ventriculares em geral não ficam simetricamente abaixo do anel (mais baixas anteriormente), mas devem ficar 3 a 5 mm abaixo do plano anular. Após a liberação das abas aórticas (D), a prótese tipicamente pivota, a borda anterior sobe e a valva se alinha coaxialmente ao eixo longo da aorta.
Nota de fidelidade: para a prótese autoexpansível, a legenda da Figura 7 cita 3 a 5 mm abaixo do plano anular, enquanto o texto e as Tabelas 3, 5 e 11 citam 2 a 4 mm (e “não ≥6 mm”). Ambos os valores estão no original e foram mantidos. Também há diferença no pigtail: o texto o situa na cúspide não coronariana para autoexpansíveis e na coronariana direita para expansíveis por balão; a legenda da Figura 6 mostra o pigtail no seio coronariano direito.
Figura sem textos a traduzir (apenas letras dos painéis).
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
| Prótese | Referência para posicionar | Profundidade final | Onde aparece |
|---|---|---|---|
| SAPIEN 3 (balão) | Extremidade aórtica: cobrir folhetos e ficar abaixo da JST | 1–2 mm abaixo do anel | Texto (p. 416), Figura 7B |
| Evolut R/EvolutPro (autoexpansível) | Extremidade ventricular abaixo do anel | 2–4 mm (não ≥6 mm) | Texto, Tabelas 3, 5 e 11 |
| Autoexpansível (legenda) | Bordas ventriculares assimétricas, mais baixas anteriormente | 3–5 mm | Legenda da Figura 7C |
- Pericárdio: derrame novo? (ruptura da raiz, perfuração do VD pelo marca-passo, do VE pelo fio rígido).
- Paredes: nova hipocinesia segmentar? (coronária — sobretudo TCE).
- Aorta: IAo aguda grave após valvoplastia ou prótese mal posicionada?
- Mitral: fio preso no aparelho subvalvar, IM nova?
- VSVE: obstrução dinâmica após aliviar a pós-carga (hipertrofia septal)?
❓ Pergunta-chavePor que na SAPIEN 3 o foco do posicionamento é a borda aórtica?Ver resposta
Resposta: porque a prótese encurta apenas pelo lado ventricular ao ser expandida; a borda aórtica deve cobrir os folhetos nativos e ficar abaixo da JST.
💡 Profundidade final desejada: 1–2 mm abaixo do anel.
❓ Pergunta-chaveInstabilidade logo após desinsuflar o balão: o que excluir além do efeito da estimulação rápida?Ver resposta
Resposta: derrame/tamponamento por ruptura da raiz, disfunção grave de VE/VD por oclusão coronariana aguda e IAo aguda grave.
💡 O ETE responde às três perguntas em segundos.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Intraprocedural Imaging” (p. 416-17), Tabela 5, Figuras 6 e 7.
9Pós-implante imediato e regurgitação paravalvar
A RPV é a complicação mais comum da TAVI e pode ser tratada na própria sala — desde que seja reconhecida, localizada e graduada corretamente.
- Avaliar imediatamente após a TAVI: posição da prótese, mobilidade dos folhetos e forma da prótese implantada. Oclusão coronariana e ruptura aórtica costumam vir com comprometimento hemodinâmico importante.
- RPV mais que discreta: 0% a 24% na experiência inicial e 0% a 6% com as gerações atuais (2018).
- A avaliação rápida é essencial: a RPV pode ser tratada na sala com pós-dilatação por balão, valve-in-valve ou dispositivo de oclusão paravalvar. É particularmente importante após prótese reposicionável; cineangiografia e hemodinâmica invasiva têm limitações (Tabela 6).
- O eco (ETT ou ETE) é o método preferido: identifica local, número e extensão dos jatos, distingue transvalvar (central) de paravalvar e define a etiologia — posição subótima, sub ou superexpansão, assimetria, ou cálcio anular/subanular ectópico.
- Local e etiologia definem o manejo: valve-in-valve para IAo central; para RPV, pós-dilatação, oclusor ou valve-in-valve.
| Cineangiografia | Parâmetros hemodinâmicos |
|---|---|
Dependente de:
Incapacidade de diferenciar regurgitação intra de paravalvar Exposição à radiação Exposição a contraste angiográfico Acurácia e reprodutibilidade limitadas |
Incapacidade de diferenciar regurgitação intra de paravalvar Influenciados pela complacência anormal do ventrículo e da aorta Dependentes da frequência cardíaca Sobreposição significativa entre os graus de regurgitação |

A RPV deve ser avaliada por múltiplos parâmetros e a partir de múltiplos planos. (A) Eixo curto mostrando que o jato regurgitante provavelmente se origina na comissura entre as cúspides coronariana esquerda e não coronariana (seta branca). (B) Eixo longo mostrando a zona de convergência proximal (seta branca); (C) corte transgástrico com a área do jato bem visualizada. Importante: a gravidade da regurgitação não deve ser avaliada pela área nem pelo comprimento do jato. O tempo de meia-pressão relativamente curto (D) pode resultar de complacência ventricular ou aórtica anormal e é menos diagnóstico nessa população.
Figura sem textos a traduzir além das anotações do equipamento.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
- Varrer a prótese da extremidade distal (aórtica) à proximal (ventricular): jatos centrais ocorrem no nível da coaptação dos folhetos; jatos paravalvares aparecem na borda proximal (ventricular) da prótese.
- Usar múltiplos eixos curtos, com a maior taxa de quadros possível, incluindo a VSVE logo abaixo do stent — para confirmar que os jatos chegam ao VE.
- Limitação do eixo curto 2D: se o plano estiver baixo demais (ventricular), superestima por mostrar o “spray” do jato; se alto demais (aórtico), o fluxo nos seios pode ser confundido com regurgitação — ou a regurgitação pode não aparecer.
- Artefatos de “twinkling” no Doppler colorido ocorrem sobre superfícies muito refletoras, como o stent; são pancíclicos e o Doppler espectral mostra sinais não fisiológicos.
- O ETE oferece 2D de melhor qualidade e conjuntos 3D com Doppler colorido que permitem planimetrar a área da vena contracta. Shibayama et al.: forma mais elíptica no nível comissural, maior expansão e orientação “antianatômica” (comissuras da prótese a ≥60° das nativas) associaram-se a regurgitação transvalvar.

O “artefato de twinkling” do Doppler colorido é visto sobre toda a armação metálica da prótese, em sístole (e também em diástole) (A). Múltiplos cortes de eixo curto, ajustados para a maior taxa de quadros, devem varrer desde o meio da prótese (B), para avaliar regurgitação central, até a VSVE imediatamente proximal ao stent (C), para confirmar que os jatos chegam ao VE. SV, seios de Valsalva.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.

A reconstrução multiplanar permite alinhar o eixo curto da vena contracta (plano vermelho), que pode ser planimetrado para estimar a gravidade. Neste caso, apesar do tempo de meia-pressão de 258 ms, o jato representa RPV discreta.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
| Parâmetros ecocardiográficos | Armadilhas |
|---|---|
Parâmetros estruturais
|
|
Parâmetros do Doppler colorido (ME AV LAX, TG LAX, TG profundo cinco câmaras, ME AV SAX)
|
|
Doppler e parâmetros quantitativos
|
|
| Imagem 3D |
|
LAX, eixo longo; ME, medioesofágico; SAX, eixo curto; TG, transgástrico.
- O VARC-2 propôs abordagem multiparamétrica e multijanela com esquema de três classes (discreta, moderada, grave). Em 1.255 ETT de cinco registros de TAVI, a combinação dos parâmetros VARC-2 foi factível em apenas 53%; em 40% a graduação apoiou-se em um único critério VARC-2 confiável somado a parâmetros não VARC, e em 7% apenas em parâmetros não VARC.
- Para melhorar factibilidade e acurácia, foi proposto um esquema unificador de cinco classes (Tabela 8), mais granular para os jatos “entre graus”, mas que pode ser recolhido ao de três classes: discreta e discreta-a-moderada → discreta; moderada e moderada-a-grave → moderada.
- Jones et al. (unicêntrico, retrospectivo): aumento escalonado da mortalidade em 1 ano para cada grau, mesmo após ajuste (idade, sexo, STS, FEVE e IAo prévia) — HR 2,26 por aumento de 1+ (IC 95% 1,48–3,43; P < ,001); mortalidade em 1 ano duas vezes maior com IAo discreta (1+ e 1 a 2+) do que com IAo trivial a 1+.
- O PARTNER II, com o mesmo esquema, mostrou que RPV discreta e discreta-a-moderada não se associaram a piores desfechos em relação a ausente/mínima.
| Esquema de três classes | Mínima | Discreta | Moderada | Grave | ||
|---|---|---|---|---|---|---|
| Esquema unificador de cinco classes | Mínima | Discreta | Discreta a moderada | Moderada | Moderada a grave | Grave |
| Cineangiografia | ||||||
| Grau angiográfico | Grau 1 | Grau 1 | Grau 1 | Grau 2 | Grau 3 | Grau 4 |
| Hemodinâmica invasiva | ||||||
| Índice de IAo‡ | >25 | >25 | >25 | 10–25 | 10–25 | <10 |
| Ecocardiografia com Doppler — parâmetros estruturais | ||||||
| • Stent da prótese | Geralmente normal | Geralmente normal | Normal/anormal† | Normal/anormal† | Geralmente anormal† | Geralmente anormal† |
| ◦ Tamanho do VE§ | Normal | Normal | Normal | Normal/levemente dilatado | Leve/moderadamente dilatado | Moderada/gravemente dilatado |
| Parâmetros Doppler (qualitativos ou semiquantitativos) | ||||||
| • Características do jato: origem extensa/larga | Ausente | Ausente | Ausente | Presente | Presente | Presente |
| Múltiplos jatos | Possível | Possível | Frequentemente presentes | Frequentemente presentes | Geralmente presentes | Geralmente presentes |
| Trajeto do jato visível ao longo do stent | Ausente | Ausente | Possível | Frequentemente presente | Geralmente presente | Presente |
| Convergência de fluxo proximal visível | Ausente | Ausente | Ausente | Possível | Frequentemente presente | Frequentemente presente |
| ◦ Largura da vena contracta (mm)*: Doppler colorido | <2 | <2 | 2–4 | 4–5 | 5–6 | >6 |
| ◦ Área da vena contracta (mm²)‖: Doppler colorido 3D | <5 | 5–10 | 10–20 | 20–30 | 30–40 | >40 |
| • Largura do jato na origem (% do diâmetro da VSVE): Doppler colorido* | Estreita (<5) | Estreita (5–15) | Intermediária (15–30) | Intermediária (30–45) | Larga (45–60) | Larga (>60) |
| ◦ Densidade do jato: Doppler contínuo | Incompleta ou tênue | Incompleta ou tênue | Variável | Densa | Densa | Densa |
| ◦ Taxa de desaceleração do jato (PHT, ms): Doppler contínuo‡,§ | Lenta (>500) | Lenta (>500) | Lenta (>500) | Variável (200–500) | Variável (200–500) | Rápida (<200) |
| ◦ Reversão diastólica do fluxo na aorta descendente: Doppler pulsado‡,§ | Ausente | Ausente ou breve, protodiastólica | Intermediária | Intermediária | Holodiastólica (velocidade diastólica final >20 cm/s) | Holodiastólica (velocidade diastólica final >25 cm/s) |
| • Extensão circunferencial da RPV (%): Doppler colorido | <10 | <10 | 10–20 | 20–30 | >30 | >30 |
| Parâmetros Doppler (quantitativos) | ||||||
| ◦ Fração regurgitante (%) | <15 | <15 | 15–30 | 30–40 | 40–50 | >50 |
| ◦ Área efetiva do orifício regurgitante (mm²)¶ | <5 | <5 | 5–10 | 10–20 | 20–30 | >30 |
Fonte: Pibarot et al.
• Parâmetros mais frequentemente aplicáveis e usados para graduar a RPV pelo eco.
◦ Parâmetros menos frequentemente aplicáveis, por limitações de factibilidade ou acurácia das medidas e/ou interação com outros fatores.
*Parâmetros em geral avaliados visualmente.
†Anormalidades de posição do stent (baixo ou alto demais), de implante e/ou de circularidade.
‡Parâmetros influenciados pela complacência do VE e da aorta. Assim, um gradiente diastólico final aorta–VE baixo por disfunção diastólica moderada ou grave concomitante do VE pode gerar falso-positivos. A alta dependência da reversão do fluxo aórtico em relação à complacência aórtica limita consideravelmente a utilidade desse parâmetro na população idosa submetida a TAVI. Esses parâmetros também são influenciados pela frequência cardíaca.
§Aplica-se à RPV crônica, mas é menos confiável na avaliação periprocedimento ou pós-procedimento precoce.
‖A área da vena contracta é medida por planimetria da vena contracta do(s) jato(s) em imagens de Doppler colorido 2D ou 3D no eixo curto.
¶A área efetiva do orifício regurgitante é calculada dividindo o volume regurgitante pela integral velocidade-tempo do fluxo de IAo ao Doppler contínuo.
CW, Doppler contínuo; PHT, tempo de meia-pressão; PW, Doppler pulsado. No original, o tamanho do VE aparece como subitem dos parâmetros estruturais; a extensão circunferencial de “moderada a grave” e “grave” é >30% em ambas as colunas, conforme impresso.
| Domínio | Câmaras | Prótese transcateter |
|---|---|---|
| Estrutura |
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| Função |
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| Hemodinâmica |
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| Outros |
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A maioria das lesões da raiz é catastrófica, mas algumas são insidiosas, com acúmulo lento de derrame e apresentação tardia com tamponamento. É necessário alto grau de alerta para lesão estrutural como causa de instabilidade em todas as fases. Há relatos de CIV iatrogênica; deve-se interrogar rotineiramente o septo interventricular, sobretudo na região perimembranosa.
Graduar o leak pela área ou comprimento do jato ou pelo PHT isolado. Use o conjunto da Tabela 8, priorizando os parâmetros marcados com “•” (stent, características do jato, largura na origem, extensão circunferencial).
❓ Pergunta-chaveOnde nasce um jato paravalvar e onde nasce um jato central?Ver resposta
Resposta: o central nasce no nível da coaptação dos folhetos da prótese; o paravalvar aparece na borda proximal (ventricular) do stent, por fora dele.
💡 Varra do aórtico ao ventricular e confirme na VSVE logo abaixo do stent.
❓ Pergunta-chaveComo reconhecer o artefato de twinkling?Ver resposta
Resposta: sinal colorido sobre a armação metálica, pancíclico (sístole e diástole), com Doppler espectral mostrando sinais não fisiológicos.
💡 Regurgitação verdadeira é diastólica e tem espectro coerente.
❓ Pergunta-chaveComo o esquema de cinco classes conversa com o VARC-2?Ver resposta
Resposta: recolhe-se: discreta e discreta-a-moderada → discreta; moderada e moderada-a-grave → moderada; mínima e grave permanecem.
💡 No PARTNER II, discreta e discreta-a-moderada não pioraram desfechos; em Jones et al., cada 1+ elevou o risco (HR 2,26).
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Postprocedural Imaging” (p. 417-19), Tabelas 6–9, Figuras 8–10.
10Sedação, ETT na sala e complicações
A padronização do procedimento levou à TAVI sob sedação (“abordagem minimalista”), o que limita o ETE e transfere ao ETT o guia e a vigilância. O ecocardiografista precisa estar na sala.
- Os primeiros ensaios exigiam anestesia geral (AG) e ETE. Hoje há sedação sem intubação com anestesiologista (cuidado anestésico monitorado) ou sem ele (sedação consciente, “abordagem minimalista”), que limita o ETE e passa a depender do ETT.
- Benefícios: menos UTI, menor permanência e menor custo — a pesar contra relatos de mais RPV, uso de contraste nefrotóxico e maior morbidade da conversão para AG. Alguns centros mantêm AG + ETE em protocolo “fast track”, também com menor permanência e custo.
- Registro brasileiro: o uso de ETE para monitorar o procedimento foi fator protetor contra mortalidade total (HR 0,57) e tardia (HR 0,47).
- Registro europeu TCVT (ESC): sobrevida em 1 ano semelhante entre AG e SC (log-rank P = ,1505), mas no tercil mais alto de EuroSCORE logístico a AG teve maior mortalidade. A AG teve maior sucesso imediato e menos complicações periprocedimento; a SC teve tendência a mais eventos combinados (IAM, AVC maior e morte hospitalar): 7,0% vs 5,3% (P = ,053).
- Características do paciente e experiência do centro influenciam: na DPOC (Condado et al.), sem diferença em complicações e mortalidade em 30 dias; a abordagem minimalista associou-se a melhor sobrevida em 1 ano (HR 0,28; IC 95% 0,08–0,97). Em centros de alto volume, desfechos semelhantes com SC — no estudo citado, o primeiro caso com SC ocorreu após 300 casos sob AG.
| Parâmetro | ETT | ETE |
|---|---|---|
| Sedação durante a TAVI |
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| Vantagens de imagem |
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| Desvantagens de imagem |
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| Outras vantagens |
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| Outras desvantagens |
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Na linha “Outras vantagens”, o original lista a necessidade de monitorização pós-procedimento na coluna do ETE, como reproduzido.
ETT na sala: basal, durante e logo após o implante
- A interpretação imediata e acurada exige tipicamente um ecocardiografista médico na sala; treinamento e experiência adequados são obrigatórios. O transdutor fica dentro do plano fluoroscópico — trabalho em equipe: não fazer ETT durante fluoroscopia simultânea.
- Basal: avaliar tamanho e função ventricular e todas as valvas, e identificar as melhores janelas para comparar depois. Com o paciente em decúbito e o campo estéril, pode ser necessária uma janela paraesternal “baixa” — não recomendada para medidas do VE, mas muitas vezes ideal, em idosos, para VSVE, anel e raiz. A imagem multiplanar simultânea ajuda, mas a baixa taxa de quadros limita o Doppler colorido. Janelas paraesternais podem ser limitadas pela sombra posterior da prótese e por jatos perpendiculares ao feixe.
- Logo após o implante: posição, forma e mobilidade dos folhetos em biplano. O paraesternal eixo longo é o melhor para a posição final; o eixo curto é essencial para forma e para RPV/IAo central. Avaliar contratilidade de VE e VD (alterações em território coronariano sugerem obstrução coronariana aguda). As janelas apicais são essenciais para a avaliação hemodinâmica completa.

(A) Imagem biplanar simultânea a partir de uma janela “baixa”, comum com o paciente em decúbito dorsal. O eixo curto ortogonal no nível da VSVE mostra cálcio volumoso (seta amarela) projetando-se nesse espaço. (B) Imagem multiplanar simultânea da valva aórtica (círculo amarelo), com calcificação muito volumosa da cúspide coronariana direita. A seta branca tracejada no eixo longo (à esquerda) indica o nível do eixo curto ortogonal (à direita).
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
| Etapa | Recomendações de imagem | Exemplo |
|---|---|---|
| Posição do fio rígido |
| Imagem biplanar simultânea do fio (setas amarelas e linha tracejada) ![]() |
| Posicionamento da prótese |
| A mesma imagem paraesternal de eixo longo com a SAPIEN 3 crimpada (seta verde em A e cilindro verde em B) abaixo da junção sinotubular (seta amarela em A), mas cobrindo os folhetos (linhas vermelhas tracejadas em B) ver original em inglês (PDF) |
| Imediatamente após o implante |
| Imagem paraesternal pós-TAVI da nova prótese em eixo longo (A) e eixo curto (B) ver original em inglês (PDF) Cortes apicais da prótese evitam a sombra que pode limitar a avaliação da RPV pelas janelas paraesternais ver original em inglês (PDF) |
LAX, eixo longo. Rótulos das imagens traduzidos para o português; anotações do equipamento mantidas.
- Comprimento e área do jato colorido, PHT (Doppler contínuo) e reversão holodiastólica na aorta descendente (Doppler pulsado) são muito influenciados por pressão arterial, complacência do VE e da aorta. Nessa população idosa, aorta não complacente e VE hipertrofiado podem invalidar os índices padrão: volume regurgitante grande (≥60 mL) ocorre na IAo crônica grave com VE dilatado, mas num VE pequeno e hipertrófico a IAo aguda grave pode corresponder a volume regurgitante bem menor.
- A natureza atípica e irregular dos jatos de RPV limita a acurácia dos parâmetros usados para valvas nativas ou cirúrgicas.
- Desenhos proprietários de prótese podem exigir algoritmos de imagem específicos.
| Complicação | Avaliação ecocardiográfica transtorácica |
|---|---|
| Instabilidade hemodinâmica | |
| a. Regurgitação transvalvar ou RPV grave |
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| b. IM grave |
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| c. Derrame pericárdico |
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| d. Disfunção ventricular |
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| e. Ruptura ou dissecção aórtica |
|
| f. Sangramento maior |
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| Outras complicações do procedimento | |
| a. Identificar trombo em fios/cateteres |
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| b. Mau posicionamento da prótese |
|
| c. Fístula/perfuração |
|
VSVD, via de saída do ventrículo direito.

(A) Imagem 2D e Doppler colorido simultâneo no paraesternal de eixo longo, com fluxo turbulento através do septo membranoso (seta amarela). (B) O Doppler contínuo mostra fluxo pancíclico de alta velocidade.
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
Na abordagem minimalista, combine com a equipe pausas na fluoroscopia para adquirir imagens: o artigo destaca a possível maior exposição do ecocardiografista à radiação e a interferência com o campo estéril.
❓ Pergunta-chaveQual janela do ETT define melhor a posição final e qual avalia melhor a RPV?Ver resposta
Resposta: paraesternal eixo longo para a posição final; eixo curto (VSVE logo abaixo do stent) para forma e RPV; apicais para hemodinâmica e para evitar a sombra posterior do stent.
💡 Comprimento/área do jato só localizam e contam jatos, não graduam.
❓ Pergunta-chaveO que o registro brasileiro mostrou sobre o ETE?Ver resposta
Resposta: o ETE para monitorar o procedimento foi fator protetor contra mortalidade total (HR 0,57) e tardia (HR 0,47).
💡 Outros registros (TCVT, DPOC) mostram resultados semelhantes com sedação em centros experientes.
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Procedural and Postprocedural Imaging with TTE” (p. 419-26), Tabelas 10–12, Figuras 11 e 12.
11AVA e seguimento após a TAVI
Após a TAVI faz-se avaliação abrangente de câmaras e valvas (Tabela 9). O cálculo correto da área efetiva da prótese depende de onde se mede a VSVE e se coloca o Doppler pulsado.
- O cálculo acurado da área valvar pós-TAVI exige medir o volume sistólico da VSVE.
- Prótese expansível por balão: pela aceleração de fluxo dentro do stent, o diâmetro da VSVE deve ser medido da borda externa à borda externa da armação, com a amostra do Doppler pulsado logo apical à borda proximal do stent. Essa medida correlaciona-se melhor com o gradiente médio.
- O Doppler contínuo através da prótese confirma gradientes e permite calcular a área.
- Se a VSVE não puder ser medida com acurácia, registrar o índice adimensional (DVI), útil no seguimento de longo prazo. Relatos do PARTNER sugerem DVI normal >0,45 para a prótese expansível por balão.
- Se o stent faz protrusão na VSVE sem contato com o tecido ao redor (sobretudo com fluxo por fora do stent de entrada), o volume sistólico medido nessa região pode ser inválido. Pode-se usar o diâmetro interno a interno no nível das inserções dos folhetos protéticos, com o PW no mesmo nível, mas pela aceleração de fluxo a área tende a ser superestimada.
- Prótese autoexpansível: estudos iniciais sugeriam medir a VSVE logo abaixo das inserções visíveis dos folhetos, de borda interna a interna; ensaios recentes usaram a borda externa a externa da extremidade ventricular da prótese.

Pela aceleração de fluxo dentro da prótese expansível por balão, o diâmetro da VSVE deve ser medido de borda externa a borda externa da armação (A), com a amostra do Doppler pulsado logo apical à borda proximal do stent (B). O Doppler contínuo é então usado para calcular a AVA (C).
Anotações do equipamento mantidas no original (AV VTI, Vmax, Vmean, Max PG, Mean PG, AV VR, AVA [VTI], AVA [Vmax]).
Reproduzida de Hahn RT et al., J Am Soc Echocardiogr 2018;31:405-33.
| Situação | Diâmetro | Amostra do PW | Observação |
|---|---|---|---|
| Prótese expansível por balão (padrão) | Borda externa a externa do stent | Logo apical à borda proximal do stent | Melhor correlação com o gradiente médio |
| Stent em protrusão na VSVE, sem contato com o tecido | Interno a interno, no nível das inserções protéticas | No mesmo nível | Tende a superestimar a área (aceleração de fluxo) |
| Prótese autoexpansível | Estudos iniciais: interno a interno logo abaixo das inserções; ensaios recentes: externo a externo da extremidade ventricular | — | Padronize no seu serviço e descreva no laudo |
| VSVE não mensurável | — | — | Registrar DVI (normal >0,45 na prótese por balão, PARTNER) |
Em 10 anos, a TAVI passou a ser padrão de cuidado para inoperáveis, opção equivalente para alto risco e uma consideração para risco intermediário com EAo grave sintomática (cenário de 2018). Compreender a variabilidade anatômica, as restrições da prótese e o valor da imagem ecocardiográfica é importante para qualquer membro do Heart Team.
❓ Pergunta-chavePor que medir a VSVE pela borda externa do stent na prótese por balão?Ver resposta
Resposta: porque há aceleração de fluxo dentro do stent; o PW posicionado logo apical à borda proximal, combinado ao diâmetro externo a externo, mostrou a melhor correlação com o gradiente médio.
💡 Se a medida não for confiável, registre o DVI (>0,45 é normal para a prótese por balão).
Fonte: Hahn et al., JASE 2018 — “Postprocedural Assessment” e “Conclusions” (p. 426-28), Figura 13.
🚫 10 coisas para parar de fazer
Todas sustentadas pelo texto do artigo.
- Medir a VSVE 5–10 mm abaixo do anel — subestima a AVA (Tabela 2).
- Usar o cálcio ectópico como borda da VSVE — subestima a AVA (Tabela 2, Figura 2).
- Colocar o PW dentro da zona de aceleração — superestima a AVA (Tabela 2).
- Traçar o envelope tênue do PW em vez da velocidade modal — superestima VS e AVA (Tabela 2).
- Confiar numa única janela apical para o jato — subestima a gravidade em até 50% (Tabela 2).
- Usar o diâmetro do anel no eixo longo 2D como “o anel” para escolher a prótese — o anel é oval e o 2D subestima (p. 414).
- Graduar o leak pela área ou comprimento do jato (Figura 8, Tabela 11).
- Confiar no PHT ou na reversão holodiastólica isolados no idoso pós-TAVI — dependem da complacência e da FC (Tabela 8, notas ‡ e §).
- Chamar de regurgitação o twinkling sobre o stent — é pancíclico e não fisiológico (Figura 9).
- Fazer ETT durante fluoroscopia simultânea — exposição desnecessária do ecocardiografista (p. 423).
12Checklist do laudo (pré, sala e pós)
Marque enquanto revisa um exame. Construído a partir das Tabelas 4, 5, 9, 11 e 12.
Pré-TAVI
Na sala
Pós-implante
📌 O artigo em 2 minutos
- O anel da TAVI é virtual: plano dos pontos basais de inserção dos folhetos.
- Coronária esquerda baixa + folheto esquerdo calcificado = risco de obstrução; altura só por MPR.
- Bicúspide: anel maior e circular, cálcio excêntrico → mais RPV e marca-passo.
- EAo grave: Vmáx ≥4 m/s, GM ≥40 mmHg, AVA ≤1,0 cm², AVAi ≤0,6 cm²/m², DVI ≤0,25.
- O maior erro da AVA é a VSVE ao quadrado: meça no anel, borda interna a interna.
- Baixo fluxo = VSi <35 mL/m²; D2 → dobutamina; D3 → escore de cálcio (≥1.275 UA mulheres; ≥2.065 homens).
- Zva ≥4,5 e ELI ≤0,5–0,6 cm²/m² trazem prognóstico; não são rotina.
- Eco 2D subestima o anel; TCMD ou ETE 3D (área e perímetro) reduzem RPV.
- SAPIEN 3: borda aórtica abaixo da JST, final 1–2 mm; Evolut: 2–4 mm (não ≥6).
- RPV: varrer do aórtico ao ventricular, graduar com Tabela 8, nunca por área/comprimento do jato.
- Twinkling é pancíclico; jato verdadeiro chega ao VE abaixo do stent.
- Pós-TAVI por balão: VSVE externa a externa, PW logo abaixo do stent; DVI normal >0,45.
🔤 Glossário de siglas do artigo original
As 77 siglas que aparecem no artigo em inglês — no texto, nas tabelas, nas figuras e nas telas do equipamento —, com o termo original e a tradução. As marcadas com ★ constam da lista oficial de abreviaturas do artigo.
| Sigla | Termo original (inglês) | Tradução |
|---|---|---|
| Anatomia e estruturas | ||
| LV ★ | Left ventricle / left ventricular | Ventrículo esquerdo |
| LVOT ★ | Left ventricular outflow tract | Via de saída do ventrículo esquerdo |
| RVOT | Right ventricular outflow tract | Via de saída do ventrículo direito |
| IVS | Interventricular septum | Septo interventricular |
| SOV | Sinuses of Valsalva | Seios de Valsalva |
| STJ | Sinotubular junction | Junção sinotubular |
| RCC | Right coronary cusp | Cúspide coronariana direita |
| LCC | Left coronary cusp | Cúspide coronariana esquerda |
| NCC | Noncoronary cusp | Cúspide não coronariana |
| RCA | Right coronary artery | Artéria coronária direita |
| LM | Left main coronary artery | Tronco da coronária esquerda |
| A-V node | Atrioventricular node | Nó atrioventricular |
| ant / post | Anterior / posterior (ramos do feixe esquerdo, Figura 1) | Anterior / posterior |
| A / P / PM / AL | Anterior / posterior / posteromedial / anterolateral (marcadores anulares, Figura 4) | Anterior / posterior / posteromedial / anterolateral |
| Doenças e condições | ||
| AS ★ | Aortic stenosis | Estenose aórtica |
| AR | Aortic regurgitation | Insuficiência (regurgitação) aórtica |
| MR ★ | Mitral regurgitation | Insuficiência mitral |
| TR ★ | Tricuspid regurgitation | Insuficiência tricúspide |
| PAR ★ | Paravalvular aortic regurgitation | Regurgitação aórtica paravalvar (“leak” paravalvar) |
| Procedimentos e dispositivos | ||
| TAVR ★ | Transcatheter aortic valve replacement | Implante transcateter de valva aórtica (TAVI) |
| AVR | Aortic valve replacement | Troca valvar aórtica |
| THV ★ | Transcatheter heart valve | Prótese (valva) transcateter |
| PET | Polyethylene terephthalate | Polietileno tereftalato (tecido da saia/manguito da prótese) |
| Métodos de imagem e cortes | ||
| TTE ★ | Transthoracic echocardiography | Ecocardiograma transtorácico |
| TEE ★ | Transesophageal echocardiography | Ecocardiograma transesofágico |
| MSCT ★ | Multislice computed tomography | Tomografia computadorizada multidetectores (multicorte) |
| 2D ★ | Two-dimensional | Bidimensional |
| 3D ★ | Three-dimensional | Tridimensional |
| ME | Midesophageal | Medioesofágico |
| TG | Transgastric | Transgástrico |
| LAX | Long-axis | Eixo longo |
| SAX | Short-axis | Eixo curto |
| AV LAX / AV SAX | Aortic valve long-axis / short-axis | Eixo longo / eixo curto da valva aórtica |
| Apical 5Ch | Apical five-chamber view | Apical cinco câmaras |
| QLAB MVQ | QLAB Mitral Valve Quantification (Philips) | Software de quantificação da valva mitral (usado na planimetria indireta do anel) |
| Doppler e medidas hemodinâmicas | ||
| CW | Continuous-wave (Doppler) | Doppler contínuo |
| PW | Pulsed-wave (Doppler) | Doppler pulsado |
| VTI | Velocity-time integral | Integral velocidade-tempo |
| AVA ★ | Aortic valve area | Área valvar aórtica |
| AVAi | Indexed aortic valve area | Área valvar aórtica indexada |
| MG | Mean gradient | Gradiente médio |
| SVi | Stroke volume index | Volume sistólico indexado |
| BSA ★ | Body surface area | Superfície corporal |
| CE | Continuity equation | Equação de continuidade |
| PHT | Pressure half-time | Tempo de meia-pressão |
| ELI ★ | Energy loss index | Índice de perda de energia |
| Zva ★ | Valvuloarterial impedance | Impedância valvuloarterial |
| AR index | Aortic regurgitation index | Índice de regurgitação aórtica (hemodinâmica invasiva) |
| Função ventricular | ||
| EF ★ | Ejection fraction | Fração de ejeção |
| LVEF | Left ventricular ejection fraction | Fração de ejeção do ventrículo esquerdo |
| GLS ★ | Global longitudinal strain | Strain longitudinal global |
| E/e′ | Ratio of mitral E velocity to tissue Doppler e′ velocity | Razão entre a onda E mitral e a velocidade e′ do Doppler tecidual |
| Anestesia e sala | ||
| GA ★ | General anesthesia | Anestesia geral |
| CS ★ | Conscious sedation | Sedação consciente (“abordagem minimalista”) |
| Anotações das telas do equipamento (figuras) | ||
| AoV / AV | Aortic valve | Valva aórtica |
| Vmax | Maximal (peak) velocity | Velocidade máxima (de pico) |
| Vmean | Mean velocity | Velocidade média |
| Pk Grad / Max PG | Peak gradient / maximal pressure gradient | Gradiente de pico (máximo) |
| Mn Grad / Mean PG | Mean gradient / mean pressure gradient | Gradiente médio |
| AV VR | Aortic valve velocity ratio | Razão de velocidades (índice adimensional) |
| AVA (VTI) / AVA (Vmax) | Aortic valve area by VTI / by peak velocity | Área valvar aórtica pela VTI / pela velocidade máxima |
| AI P½t | Aortic insufficiency pressure half-time | Tempo de meia-pressão da insuficiência aórtica |
| bpm | Beats per minute | Batimentos por minuto |
| FR | Frame rate | Taxa de quadros |
| WF | Wall filter | Filtro de parede |
| MI / TIS | Mechanical index / thermal index (soft tissue) | Índice mecânico / índice térmico (tecidos moles) |
| Estudos, escores e estatística | ||
| PARTNER ★ | Placement of Aortic Transcatheter Valves | Colocação de Valvas Aórticas Transcateter (ensaios de TAVI) |
| VARC ★ | Valve Academic Research Consortium | Consórcio Acadêmico de Pesquisa em Valvas (definições padronizadas de desfecho) |
| STS | Society of Thoracic Surgeons (risk score) | Escore de risco da Sociedade de Cirurgiões Torácicos |
| RCT | Randomized controlled trial | Ensaio clínico randomizado |
| HR ★ | Hazard ratio | Razão de riscos (hazard ratio) |
| CI | Confidence interval | Intervalo de confiança |
| Sociedades e publicações | ||
| AHA ★ | American Heart Association | Associação Americana do Coração |
| ACC ★ | American College of Cardiology | Colégio Americano de Cardiologia |
| ASE | American Society of Echocardiography | Sociedade Americana de Ecocardiografia |
| JASE | Journal of the American Society of Echocardiography | Revista da Sociedade Americana de Ecocardiografia |
| CCF | Cleveland Clinic Foundation (crédito da Figura 1) | Fundação Cleveland Clinic |
Nesta página, o texto em português usa as siglas consagradas no Brasil (por exemplo, VSVE para LVOT, ETE para TEE, TCMD para MSCT); a correspondência está na caixa “Siglas usadas nesta revisão”, no início da página. Atenção a duas siglas ambíguas na literatura em inglês: BAV pode significar bicuspid aortic valve (valva aórtica bicúspide) ou balloon aortic valvuloplasty (valvoplastia aórtica por balão); HR é hazard ratio no texto, mas heart rate (frequência cardíaca) nas telas do equipamento.
13Desafio final: casos integradores
Casos mais longos que cruzam várias seções do artigo. Responda e leia o comentário completo.
Nenhuma questão respondida ainda.






















