Dr. Guilherme MouraCardiologista | Ecocardiografista
Prescrição de exercício · ACC 2026← Diretrizes | Em formato interativo

Revisão comentada · Dr. Guilherme Moura · Baseada na declaração científica oficial do American College of Cardiology

Prescrição de Exercício para a Saúde Cardiovascular em Adultos – ACC 2026

Revisão prática e interativa da declaração científica do ACC de 2026 sobre prescrição de exercício: do princípio FITT e das metas de 150–300 min/semana aos passos diários, ao treino resistido e às prescrições específicas para DAC, DAP, IC, hipertensão, obesidade, idosos e cardiomiopatias — com reabilitação cardíaca, vestíveis e o papel (limitado) do teste de esforço antes de prescrever. Todas as 42 recomendações de consenso estão transcritas, e as tabelas na íntegra.

Documento
ACC · declaração científica, 2026
Seções
16
Recomend.
42
Tabelas
4
Figuras
2
Casos
100
Flashcards
120
Calculadoras
6

Myers J, Beckie TM, Chastin S, Fleg JL, Kitzman DW, Thompson PD, Wasfy MM. Exercise prescriptions for cardiovascular health: 2026 ACC scientific statement: a report of the American College of Cardiology. J Am Coll Cardiol. 2026 (no prelo). doi:10.1016/j.jacc.2026.09.008.

📄 Sobre o documento

É uma declaração científica (scientific statement) do American College of Cardiology, aprovada em setembro de 2026 e publicada no JACC — não uma diretriz de prática clínica. Declarações científicas informam sobre áreas em que a evidência é nova, em evolução ou mais limitada. O comitê (presidido por Jonathan Myers) chegou às recomendações por consenso; por isso não há Classe de Recomendação nem Nível de Evidência. O texto analisado é a prova “article in press” do JACC; o volume e as páginas definitivos ainda não estavam disponíveis.

⚠️ Aviso

Material educacional baseado no documento oficial. Não substitui julgamento clínico individualizado nem a decisão compartilhada com o paciente. Onde esta revisão vai além do texto, isso aparece marcado como 🎓 Interpretação didática.

🧠 Como ler esta página

Gradação: todas as recomendações deste documento são Consenso do comitê de redação (sem classe nem nível de evidência). Itens que aparecem apenas na Tabela 1 levam a etiqueta Só na Tabela 1. Quando o texto cita a classe de outra diretriz (ex.: RC Classe 1 após SCA, ACC/AHA 2025), ela aparece no texto de suporte como citação.

Siglas com sublinhado pontilhado mostram o significado ao passar o mouse ou tocar. Três camadas estão sempre separadas: Recomendação de consenso (transcrição) · 📖 Texto de suporte (síntese fiel do documento) · 🎓 Interpretação didática. Tabelas marcadas como “Síntese” organizam em forma de tabela o que o documento traz em texto corrido.

1Contexto, definições e visão geral

Documento · Introdução, Definições, Background, Figura Central e Tabela 1

Atividade física regular e exercício estruturado são fundamentais na prevenção e no tratamento cardiovascular, mas a prescrição de exercício ainda é pouco incorporada à rotina clínica. Esta declaração científica do ACC traduz as metas de atividade física em prescrições individualizadas para cada condição cardiovascular — e insiste: o maior benefício absoluto ocorre quando o sedentário começa a se mexer.

Figura Central traduzida: quatro quadrantes em torno de um corredor — atividade aeróbica (aumenta microvasculatura coronariana na DAC, fluxo sanguíneo, reserva cardíaca e qualidade de vida; reduz fibrose cardíaca, claudicação na DAP, hospitalizações e eventos de DCV aterosclerótica); reabilitação cardíaca (aumenta sobrevida, capacidade funcional, qualidade de vida e adesão terapêutica; reduz hospitalizações e angina); treinamento resistido (reduz pressão arterial; aumenta massa magra, densidade óssea, força e qualidade muscular e equilíbrio); terapia de exercício supervisionado (aumenta capacidade funcional e função vascular; reduz claudicação na DAP, pressão arterial e glicemia).
Figura Central – Prescrições de exercício para a saúde cardiovascularToque na imagem para ampliar · traduzida para o português mantendo o formato original · ver original em inglês

DCVA indica doença cardiovascular aterosclerótica; DAC, doença arterial coronariana; DAP, doença arterial periférica. O selo circular central (“Exercise Prescriptions”) foi mantido em inglês, como elemento gráfico.

O que é uma declaração científica do ACC

📖 Texto de suporte — Introdução
  • Declarações científicas complementam as diretrizes de prática clínica e informam os médicos sobre áreas em que a evidência é nova e em evolução ou em que os dados são mais limitados.
  • O comitê de redação foi convocado em abril de 2026; as divergências foram resolvidas por consenso. O trabalho foi apoiado apenas pelo ACC, sem participação comercial, e os membros eram voluntários não remunerados.
  • O documento cobre metas de atividade para todo o espectro de DCV, o papel do teste funcional, os dispositivos vestíveis e estratégias práticas para aumentar a participação em atividade física independente e em programas como RC e exercício estruturado.
  • Aprovado pelo Clinical Policy Approval Committee do ACC em setembro de 2026.

Definições e classificações

Síntese – Definições do documento
TermoDefinição
Escala de Borg de percepção do esforçoFerramenta desenvolvida para medir o esforço físico com base na falta de ar e na fadiga durante a atividade.
Aptidão cardiorrespiratória (ACR)Capacidade do coração e dos pulmões de fornecer oxigênio aos músculos durante o exercício.
Eventos cardíacos adversos maioresMorte cardiovascular e episódios com risco de vida, incluindo síndrome coronariana aguda, IAM ou AVC.
Dispositivos vestíveisTecnologias eletrônicas portáteis usadas no corpo que coletam, processam e exibem dados fisiológicos ou comportamentais no dia a dia ou durante o exercício: pedômetros, acelerômetros, rastreadores de atividade, relógios inteligentes, monitores de FC e sensores eletrocardiográficos vestíveis. São usados para estimar atividade física, contagem de passos, intensidade do exercício, FC, ritmo cardíaco, gasto energético, sono e tempo sedentário.

Organização em tabela das definições que o documento traz em texto corrido; o conteúdo não foi alterado.

📖 Texto de suporte — Background
  • A atividade física regular é pedra angular da prevenção e do manejo da DCV. Em quem já tem DCV, exercício estruturado e atividade física melhoram a capacidade de exercício, reduzem hospitalizações e melhoram a qualidade de vida.
  • ACR baixa é preditor poderoso e independente de desfechos adversos, com valor prognóstico igual ou superior ao dos fatores de risco tradicionais (tabagismo, hipertensão, hiperlipidemia e diabetes).
  • Apesar da evidência, a inatividade física continua muito prevalente. Muitos médicos recebem pouca formação em prescrição de exercício, e o aconselhamento sobre atividade física é incorporado de forma inconsistente ao cuidado — o que contribui para que a maioria dos adultos não atinja os níveis recomendados.
  • A prescrição de exercício traduz as recomendações de atividade física em cuidado clínico individualizado, integrando risco cardiovascular, comorbidades, capacidade funcional, objetivos e preferências do paciente. Bem adaptada, otimiza a segurança, a adesão e o benefício terapêutico.
🧭 Como ler a Figura Central
  • Atividade aeróbica: ↑ microvasculatura coronariana na DAC, ↓ fibrose cardíaca, ↑ fluxo sanguíneo, ↓ claudicação na DAP, ↑ reserva cardíaca, ↑ qualidade de vida, ↓ hospitalizações, ↓ eventos de DCVA.
  • Reabilitação cardíaca: ↑ sobrevida, ↑ capacidade funcional, ↑ qualidade de vida, ↑ adesão terapêutica, ↓ hospitalizações, ↓ angina.
  • Treinamento resistido: ↓ pressão arterial, ↑ massa magra, ↑ densidade óssea, ↑ força muscular, ↑ qualidade muscular, ↑ equilíbrio.
  • Terapia de exercício supervisionado: ↑ capacidade funcional, ↑ função vascular, ↓ claudicação na DAP, ↓ pressão arterial, ↓ glicemia.

Tabela 1 – Resumo das recomendações de consenso

A Tabela 1 reúne as recomendações de consenso do documento. Ao longo da página, cada recomendação aparece na seção correspondente, como transcrita do texto; quando a redação da Tabela 1 difere da do texto, isso está sinalizado em notas de fidelidade.

Tabela 1 – Resumo das recomendações de consenso
TemaRecomendação de consenso
Princípios fundamentais da prescrição de exercício
PrincípiosAs prescrições de exercício devem ser individualizadas de acordo com a condição cardiovascular, a capacidade funcional, os objetivos do tratamento, os sintomas, as medicações, as comorbidades e as preferências pessoais do paciente.
PrincípiosOs principais componentes da prescrição de exercício incluem frequência, intensidade, tempo (duração), tipo (modalidade) e progressão (princípio FITT).
PrincípiosOs adultos devem acumular pelo menos 150 min/semana de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 min/semana de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa, reconhecendo que benefícios adicionais geralmente ocorrem com volumes maiores de exercício.
PrincípiosAlguma forma de exercício é melhor que nenhuma, e os pacientes devem ser incentivados a praticar atividades que considerem prazerosas e sustentáveis.
PrincípiosA intensidade do exercício pode ser prescrita usando a frequência cardíaca, a carga de trabalho (METs), a percepção de esforço, os sintomas ou, quando disponíveis, os limiares fisiológicos derivados do TCPE.
PrincípiosO teste de esforço máximo não é necessário antes de iniciar atividade física na maioria das pessoas, mas pode fornecer informações valiosas para a prescrição individualizada do exercício e para a estratificação de risco quando clinicamente apropriado.
PrincípiosO exercício resistido deve complementar o exercício aeróbico como parte de uma prescrição abrangente de exercício para a maioria dos adultos.
PrincípiosMuitas condições (ex.: valvopatias, miocardite/pericardite, cardiomiopatias genéticas) exigem cautela com o exercício, e um médico com expertise especializada deve participar da tomada de decisão.
DAC
DACA RC continua sendo o tratamento de primeira linha para pacientes com DAC após IAM recente, intervenção coronária percutânea, cirurgia de revascularização miocárdica, angina estável ou dissecção espontânea de artéria coronária recente.
DACOs pacientes que não puderem participar de RC formal devem ser orientados a progredir para pelo menos 150 min/semana de atividade física de intensidade moderada.
DACPacientes com angina estável devem se exercitar regularmente em intensidade abaixo do limiar que provoca o desconforto torácico. A terapia antianginosa antes do exercício pode ser usada para aumentar o nível de exercício.
DAP
DAPPacientes com DAP sintomática e claudicação intermitente devem ser encaminhados à terapia com exercício supervisionado ou estruturado como tratamento de primeira linha, para melhorar o desempenho na caminhada, os sintomas, o estado funcional e a qualidade de vida.
DAPA caminhada deve ser realizada em séries repetidas até desconforto de claudicação moderado ou quase máximo, seguidas de repouso, e repetida com progressão gradual conforme a tolerância.
DAPQuando o exercício supervisionado não estiver disponível ou a caminhada não for viável, devem ser considerados programas comunitários ou individualizados e modalidades alternativas, como cicloergômetro, ergometria de braço ou exercício de step.
IC e cardiomiopatias
ICPacientes com ICFEr crônica e estável podem ser encaminhados à RC para melhorar a tolerância ao exercício e reduzir eventos clínicos. Embora o exercício melhore a capacidade funcional e a qualidade de vida em pessoas com ICFEp, o impacto sobre os eventos clínicos permanece incerto.
Hipertensão
HipertensãoIndivíduos com hipertensão se beneficiam do exercício regular, e as recomendações-padrão de atividade física, incluindo exercício aeróbico e resistido, devem acompanhar o tratamento medicamentoso da hipertensão.
HipertensãoO exercício não deve ser realizado se a PA sistólica de repouso exceder 200 mmHg ou a PA diastólica exceder 110 mmHg.
HipertensãoPrender a respiração ou realizar a manobra de Valsalva pode causar alterações acentuadas da PA e deve ser evitado.
Dispositivos vestíveis
VestíveisDispositivos vestíveis podem ser usados como adjuvantes do aconselhamento sobre exercício e da RC para apoiar o automonitoramento, o estabelecimento de metas, o feedback em tempo real e a progressão da atividade física, particularmente quando associados à orientação do médico ou a programas estruturados.
VestíveisRC domiciliar, virtual ou híbrida apoiada por dispositivos vestíveis pode ajudar a estender o exercício supervisionado e a monitorização a pacientes que enfrentam barreiras à participação presencial no centro.
VestíveisOs médicos devem considerar o custo do dispositivo, o letramento digital, o acesso a smartphone, a interpretação dos dados e a preferência do paciente, para evitar ampliar disparidades e garantir que as intervenções baseadas em vestíveis sejam viáveis e equitativas.
Teste de esforço antes das recomendações de atividade física
Teste de esforçoO teste de esforço de rotina não é necessário antes da prescrição de exercício para a maioria dos indivíduos assintomáticos ou clinicamente estáveis, e testes desnecessários podem criar barreiras ao início do exercício. Em condições de maior risco, incluindo CMH e CCA, o teste de esforço pode ser necessário para fins diagnósticos.
Teste de esforçoO teste de esforço deve ser considerado em pessoas com DAC crônica ou IC quando sintomas, deterioração clínica recente ou atividade vigorosa planejada levantarem preocupações quanto à segurança ou exigirem estratificação de risco individualizada.
Teste de esforçoQuando realizado, o teste de esforço ou o TCPE pode ajudar a estabelecer a capacidade funcional basal; identificar isquemia, arritmias, respostas anormais da PA ou outras limitações; e orientar a intensidade inicial segura e a progressão do exercício.
Teste de esforçoQuando realizado em atletas, o teste de esforço deve ser adaptado, tanto quanto possível, para reproduzir o esporte preferido.
Considerações especiais: exercício na DCV crônica, sobrepeso e obesidade, idosos, IC e cardiomiopatias
DCV crônicaPacientes com DCV crônica devem ser incentivados a cumprir as recomendações de atividade física (≥150 min/semana de atividade física moderada, ou ≥600 MET-min/semana), de forma semelhante à população geral.
DCV crônicaPacientes com DCV elegíveis devem ser fortemente incentivados a participar de um programa de RC. Indivíduos que não se qualificam para RC ou que já concluíram um programa de RC devem continuar seguindo as recomendações estabelecidas de atividade física para manter a ACR.
Sobrepeso e obesidadeO exercício isolado frequentemente não é uma estratégia eficaz de perda de peso, mas o exercício, especialmente com sustentação do peso corporal, contribui para a perda de peso e para a manutenção da perda de peso obtida com a dietoterapia.
Sobrepeso e obesidadeA intensidade do exercício aeróbico deve ser moderada, para favorecer a adesão e reduzir lesões.
Idosos (≥65 anos)As recomendações de exercício devem ser personalizadas conforme o estado geral de saúde, as comorbidades e a função física do idoso.
Idosos (≥65 anos)Em indivíduos com fragilidade, o treinamento físico deve se concentrar em aumentar força, equilíbrio, mobilidade e flexibilidade antes de progredir para o exercício de resistência aeróbica (endurance) padrão.
Idosos (≥65 anos)O teste de caminhada de 6 minutos, o Timed Up and Go e os testes de caminhada de 4 metros e de sentar e levantar podem ser usados em idosos para avaliar resistência, equilíbrio e mobilidade.
Idosos (≥65 anos)Para idosos sem fragilidade, buscar exercício aeróbico moderado por ≥30 min na maioria dos dias da semana.
IC e cardiomiopatias, incluindo CMHAs prescrições de exercício devem ser individualizadas de acordo com o subtipo de cardiomiopatia, a gravidade da doença, o risco arrítmico, as comorbidades, os sintomas e o exercício específico do paciente.
IC e cardiomiopatias, incluindo CMHEvidências recentes apoiam a segurança e os benefícios do exercício recreativo de intensidade leve a moderada em muitos pacientes com CMH.
IC e cardiomiopatias, incluindo CMHEm pacientes com IC, cardiomiopatia ou CMH, a reavaliação periódica é importante, porque a função ventricular, a carga arrítmica, os sintomas e a tolerância ao exercício podem evoluir ao longo do tempo e exigir modificação das recomendações de exercício.
IC e cardiomiopatias, incluindo CMHAlgumas condições, como a cardiomiopatia arritmogênica, podem piorar com o exercício, e avaliação e monitorização cuidadosas por um especialista são necessárias.
Avaliação da resposta ao exercício
RespostaUm aumento de ≥1 MET em teste graduado em esteira ou cicloergômetro geralmente indica efeito do treinamento, particularmente se acompanhado de redução da FC em cargas equivalentes.
RespostaO teste de caminhada de 6 minutos pode ser usado para quantificar o efeito do treinamento em idosos e em quem não necessita de monitorização eletrocardiográfica ou da PA, com um aumento >50 metros geralmente indicando efeito do treinamento.
RespostaO TCPE pode ser particularmente informativo em pessoas com IC, CCA ou outros distúrbios cardiovasculares importantes, porque permite uma determinação mais precisa da capacidade funcional e do efeito do treinamento.
Monitoramento e seguimento
MonitoramentoO risco de eventos cardíacos graves durante o exercício é extremamente baixo. A triagem médica de rotina, incluindo o teste de esforço, antes de exercício de intensidade moderada a vigorosa geralmente é desnecessária, devido ao baixo risco absoluto do exercício, à alta taxa de resultados falso-positivos em pacientes assintomáticos, ao baixo valor preditivo do teste de esforço para IAM e MS e ao fato de que esse rastreamento pode desencorajar o início do exercício.
MonitoramentoNo entanto, pacientes que desenvolvem novos sintomas durante o exercício, especialmente se sugestivos de isquemia cardíaca, devem interromper o exercício regular e procurar atendimento médico.

Organizada em linhas com uma coluna de tema (no original, os itens aparecem em blocos sob cada título); o conteúdo não mudou.

CCA indica cardiopatia congênita do adulto; PA, pressão arterial; DAC, doença arterial coronariana; TCPE, teste cardiopulmonar de exercício; RC, reabilitação cardíaca; ACR, aptidão cardiorrespiratória; DCV, doença cardiovascular; FITT, frequência, intensidade, tempo e tipo; CMH, cardiomiopatia hipertrófica; IC, insuficiência cardíaca; ICFEp, IC com fração de ejeção preservada; ICFEr, IC com fração de ejeção reduzida; MET, equivalente metabólico da tarefa; IAM, infarto agudo do miocárdio; DAP, doença arterial periférica; MS, morte súbita cardíaca.

⚖️ Nota de fidelidade

Algumas recomendações da Tabela 1 têm redação diferente da versão que aparece no corpo do texto. Ambas foram mantidas como no original:

  • Idosos: a Tabela 1 diz “para idosos sem fragilidade, exercício aeróbico moderado por ≥30 min na maioria dos dias”; no texto, “exercício aeróbico por 20 a 30 minutos em 3 a 5 dias por semana”. A Tabela 1 cita também o teste de caminhada de 4 metros, ausente no texto, e personaliza por “saúde geral, comorbidades e função física” (no texto: “saúde geral e grau de fragilidade”).
  • Obesidade: a Tabela 1 diz que “o exercício isolado frequentemente não é eficaz para perder peso, mas contribui para a perda e a manutenção”; o texto diz que “a perda de peso é maximizada quando o exercício é combinado à dietoterapia”.
  • IC: a Tabela 1 fala em encaminhar à RC para “reduzir eventos clínicos”; o texto, para “melhorar a tolerância ao exercício e os eventos clínicos”.
  • Itens só na Tabela 1: “alguma forma de exercício é melhor que nenhuma”; “muitas condições exigem cautela e um médico com expertise especializada”; “em atletas, adaptar o teste ao esporte preferido”.
  • Monitoramento: o texto qualifica o risco como extremamente baixo “na população geral”; a Tabela 1 omite essa qualificação.
🎓 Interpretação didática

Por ser uma declaração científica, o documento não usa Classe de Recomendação nem Nível de Evidência: as recomendações são de consenso do comitê. Quando o texto cita a classe de uma diretriz formal (por exemplo, RC Classe 1 após SCA na diretriz ACC/AHA 2025), isso aparece aqui como citação, e não como recomendação deste documento.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Introdução, Definições, Background, Figura Central e Tabela 1.

2Princípios fundamentais da prescrição (FITT)

Documento · Fundamental principles of exercise prescription

Toda prescrição se apoia em quatro componentes — frequência, intensidade, tempo e tipo (FITT) — mais a progressão. Para a maioria dos adultos, inclusive com DCV estável: aeróbico 3 a 5 dias/semana, 20 a 60 min por sessão, intensidade moderada a vigorosa, com progressão gradual.

📖 Texto de suporte — princípios
  • Os componentes da prescrição são os mesmos em todas as populações clínicas, mas a prescrição deve ser individualizada pelo estado de saúde, capacidade funcional, objetivos, sintomas, medicações, comorbidades e preferências — considerando também acesso a instalações, equipamento, custo e probabilidade de adesão a longo prazo.
  • Modalidades-base: exercício dinâmico com grandes grupos musculares — caminhada, ciclismo, remo, step, natação e ergometria de braço. O exercício resistido deve complementar o aeróbico na maioria dos pacientes.
  • Volume semanal (OMS e Physical Activity Guidelines for Americans): ≥150 min/semana de atividade moderada ou ≥75 min/semana de vigorosa, distribuídos na semana; benefícios maiores com até cerca de 300 min/semana moderada ou 150 min/semana vigorosa.
  • O volume também pode ser expresso em MET-min/semana: cerca de 500 a 1.000 MET-min/semana associam-se a melhora significativa da ACR e da saúde cardiovascular.
  • Distribuição: recomenda-se distribuir ao longo da semana, mas atividade concentrada em 1 a 2 dias (“guerreiro de fim de semana”) associou-se a redução semelhante do risco de desfechos cardiovasculares.
  • O treinamento é um contínuo: há benefício em ampla faixa de doses, sem limiar discreto. A maior redução de risco ocorre quando o sedentário passa a ser minimamente ativo. A prescrição ideal é segura, individualizada, alcançável e sustentável.

Como prescrever a intensidade

📖 Texto de suporte — intensidade
  • Métodos complementares: reserva de FC, porcentagem da FC de pico, carga de trabalho (METs), percepção de esforço, sintomas ou, quando disponíveis, limiares fisiológicos do TCPE.
  • A escolha depende da condição clínica, das medicações (sobretudo betabloqueadores e outros fármacos que limitam a FC), da disponibilidade de teste e do local do exercício.
  • O teste máximo não é necessário antes de prescrever atividade física para a maioria das pessoas; quando indicado clinicamente, informa capacidade funcional, estratificação de risco e prescrição individualizada.
  • Qualquer que seja o método, a intensidade deve ser interpretada junto com sintomas e percepção de esforço. Borg 12 a 14 na escala 6–20 (“um pouco difícil”) costuma ser bem tolerado e associa-se a adaptações favoráveis na DCV estável.
Consenso – Princípios fundamentais da prescrição de exercício
Consenso

As prescrições de exercício devem ser individualizadas de acordo com a condição cardiovascular, a capacidade funcional, os objetivos do tratamento, os sintomas, as medicações, as comorbidades e as preferências pessoais do paciente.

Consenso

Os principais componentes da prescrição de exercício incluem frequência, intensidade, tempo (duração), tipo (modalidade) e progressão (princípio FITT).

Consenso

Os adultos devem acumular pelo menos 150 min/semana de atividade física aeróbica de intensidade moderada ou 75 min/semana de atividade física aeróbica de intensidade vigorosa, reconhecendo que benefícios adicionais geralmente ocorrem com volumes maiores de exercício.

ConsensoSó na Tabela 1

Alguma forma de exercício é melhor que nenhuma, e os pacientes devem ser incentivados a praticar atividades que considerem prazerosas e sustentáveis.

Consenso

A intensidade do exercício pode ser prescrita usando a FC, a carga de trabalho (METs), a percepção de esforço, os sintomas ou, quando disponíveis, os limiares fisiológicos derivados do TCPE.

Consenso

O teste de esforço máximo não é necessário antes de iniciar atividade física na maioria das pessoas, mas pode fornecer informações valiosas para a prescrição individualizada do exercício e para a estratificação de risco quando clinicamente apropriado.

Consenso

O exercício resistido deve complementar o exercício aeróbico como parte de uma prescrição abrangente de exercício para a maioria dos adultos.

ConsensoSó na Tabela 1

Muitas condições (ex.: valvopatias, miocardite/pericardite, cardiomiopatias genéticas) exigem cautela com o exercício, e um médico com expertise especializada deve participar da tomada de decisão.

🧮 Volume semanal de atividade aeróbica
Informe os minutos semanais de atividade moderada e/ou vigorosa.
🧮 Faixa de FC de treino (reserva de FC e % da FC de pico)
Informe a FC de repouso, a FC de pico (idealmente de teste de esforço) e a faixa desejada.

As fórmulas da reserva de FC (Karvonen: FC alvo = FC repouso + % × [FC pico − FC repouso]) e da % da FC de pico são fórmulas usuais, não descritas no documento, que apenas lista esses métodos. A faixa percentual fica a seu critério.

🎓 Interpretação didática

No paciente em betabloqueador, a FC de pico prevista pela idade superestima a FC alcançável: prefira a FC de pico medida em teste feito com a medicação habitual, ou guie-se pela percepção de esforço (Borg 12–14) e pelos sintomas — exatamente as alternativas que o documento lista.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Fundamental principles of exercise prescription; Tabela 1.

3Dose-resposta, intensidade e passos diários

Documento · Exercise for CVD prevention and management

Os mais ativos têm cerca de metade da taxa de eventos e morte cardiovascular dos menos ativos. A curva é não linear: o maior ganho é sair do zero. Em passos, ~7.000/dia já traz benefício clinicamente significativo — 10.000 é meta razoável para muito ativos, e 4.000 a 8.000 é uma alternativa prática para pessoas saudáveis.

📖 Texto de suporte — epidemiologia e conceitos
  • Exercício e atividade física são recomendados desde Heródico (480 a.C.); Jeremy Morris chamou a atividade física de “a melhor barganha da saúde pública”.
  • Atividade física = qualquer movimento voluntário produzido pelo músculo esquelético; exercício = atividade estruturada, repetitiva e desenhada para aumentar a ACR (também chamada treinamento físico). Todos os tipos e intensidades são benéficos, e mesmo pequenos aumentos ajudam.
  • Benefícios: capacidade de exercício, força muscular, saúde mental, saúde óssea e sono — mas os mais bem documentados são redução de morte e prevenção/melhora de desfechos na DCV.
  • Desde os anos 1950, os mais ativos têm ~metade da taxa de eventos cardiovasculares e morte dos menos ativos. A associação é ainda mais forte quando a atividade é medida por dispositivos (acelerômetros, contadores de passos) do que por autorrelato.
  • Maior capacidade de exercício em teste padronizado associa-se a maior sobrevida e menos eventos — mas isso não atribui todo o benefício ao exercício, pois fatores como a genética também elevam a capacidade.
📖 Texto de suporte — princípios das diretrizes CDC 2018 e ACC/AHA 2019
  • Não linearidade: passar de nenhuma para alguma atividade produz a maior redução de morte e eventos; aumentos adicionais trazem redução progressivamente menor. Corolário: os menos ativos têm o maior potencial de benefício e devem ser o alvo prioritário das intervenções de saúde pública.
  • A intensidade importa: atividade mais vigorosa produz resultados semelhantes em menos tempo; estudos com vestíveis mostram que cadências de passos mais vigorosas se associam a maior redução de morte e eventos.
  • Limite superior incerto: alguns estudos sugerem que volumes muito grandes ao longo da vida, sobretudo atividade muito intensa em homens, podem ter efeitos cardíacos potencialmente deletérios: aterosclerose acelerada, fibrose miocárdica na inserção do VD no septo, cardiomiopatia arritmogênica do VD, mais FA e dilatação da aorta.
  • Limitações das diretrizes: só o tempo é usado para quantificar a atividade, e elas se baseiam sobretudo em estudos observacionais, pela dificuldade de fazer ECR com desfechos cardiovasculares.

Contagem de passos

Síntese – Passos diários e desfechos citados no documento
EstudoAchado
Metanálise de 12 estudos (>111.000 indivíduos)Morte total e eventos de DCV significativamente menores a partir de 2.517 e 2.735 passos/dia, respectivamente; menores taxas em 8.763 (morte) e 7.126 (eventos de DCV) passos/dia; sem diferença entre os sexos.
Metanálise de 51 estudosComparado a 2.000 passos/dia, 7.000 passos/dia associou-se a risco 47% menor de morte por todas as causas e de morte cardiovascular.
Conclusão do documento10.000 passos/dia é meta razoável para indivíduos muito ativos; ~7.000 passos/dia traz melhora clinicamente significativa e é recomendação prática e alcançável. Pacientes saudáveis podem ser orientados a cumprir as metas de tempo ou a atingir ~4.000 a 8.000 passos/dia.

Organização em tabela de dados que o documento apresenta em texto corrido. A evidência sobre a intensidade (cadência) dos passos ainda é limitada.

🎓 Interpretação didática

Para o paciente que “não tem tempo”, duas mensagens do documento ajudam: cada minuto conta e a atividade vigorosa rende o mesmo benefício em menos tempo. Para quem não suporta metas de tempo, a meta em passos é concreta e mensurável pelo celular.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Exercise for CVD prevention and management.

4Treinamento resistido e mecanismos fisiológicos

Documento · resistance exercise; Physiologic effects of activity

Força muscular pelo menos 2 vezes por semana, grandes grupos musculares: 1 a 3 séries de 8 a 12 repetições (10–15 em idosos ou descondicionados), começando com 40% a 60% de 1RM e progredindo para 60% a 80% de 1RM. O exercício reduz eventos por vários mecanismos — e só ~59% do efeito se explica pelos fatores de risco clássicos.

📖 Texto de suporte — treinamento resistido
  • As diretrizes ACC/AHA e do CDC recomendam exercício resistido ≥2 vezes/semana, com os grandes grupos musculares.
  • Prescrição típica: 1 a 3 séries de 8 a 12 repetições (10 a 15 para idosos ou descondicionados) a cerca de 40% a 60% de 1RM para iniciantes, progredindo para 60% a 80% de 1RM conforme a tolerância.
  • A evidência que liga o treino resistido isolado à redução de eventos é menor que a do aeróbico, mas ele melhora de forma consistente força, capacidade funcional, sensibilidade à insulina, PA e composição corporal, preserva massa magra, melhora o equilíbrio, reduz a fragilidade e mantém a independência no envelhecimento.
  • Dados recentes sugerem que pode preservar a memória e reduzir a probabilidade de demência. Estudos observacionais associam-no a menor risco de DCV e morte, sobretudo combinado ao aeróbico.
  • Por isso, deve ser considerado componente fundamental de prescrições abrangentes.
🧮 Carga do treino resistido a partir de 1RM
Perfil
Idoso ou descondicionado?
Informe a carga de 1 repetição máxima (1RM).

Por que o exercício reduz eventos

📖 Texto de suporte — efeitos fisiológicos
  • Women’s Health Study: a maior parte (59%) da redução de DCV com a atividade física foi atribuída a fatores de risco conhecidos — fatores inflamatórios e hemostáticos, PA, colesterol total e LDL, HDL, lipoproteína(a), apolipoproteínas A-1 e B-100, IMC e HbA1c/sensibilidade à insulina. Esses fatores não explicaram todo o efeito.
  • FC de repouso: metanálise de 87 estudos — cada redução de 10 bpm associou-se a 7% menos DAC, 18% menos MS e 15% menos DCV total. O treino reduz a FC (tônus parassimpático e remodelamento de canais iônicos do marca-passo); FC menor reduz a turbulência intra-arterial e a aterogênese em modelos animais.
  • Tônus parassimpático: o treino aumenta a variabilidade da FC e reduz a fibrilação ventricular induzida por isquemia em modelos animais.
  • Vasomotricidade coronariana: o treino reduz a vasoconstrição coronariana; 4 semanas de treino reduziram a vasoconstrição induzida por acetilcolina em pacientes com DAC.
  • O treino também aumenta a função cardíaca e o volume sistólico, o que pode facilitar a sobrevida durante e após uma lesão miocárdica.
🎓 Interpretação didática

Explique ao paciente que o benefício do exercício não se resume a baixar PA, colesterol e glicose: mesmo com esses fatores controlados por remédios, ainda há ganho adicional (FC, tônus vagal, função endotelial). Isso desmonta o argumento “já tomo remédio, não preciso me exercitar”.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Exercise for CVD prevention and management; Physiologic effects of activity.

5Prevenção primária, sedentarismo e componentes da atividade física

Documento · Primary prevention; Tabela 2

Coortes, randomização mendeliana e ECR de fatores de risco convergem: mais atividade, menos DCV. Nunca é tarde para começar. Mas cumprir a meta semanal não anula o risco de passar o resto do dia sentado — reduzir o tempo sedentário é um alvo à parte.

📖 Texto de suporte — prevenção primária
  • A evidência é consistente entre coortes prospectivas, randomização mendeliana e ECR de fatores de risco; ECR com desfechos cardiovasculares “duros” em prevenção primária faltam por razões práticas e éticas. A base é predominantemente observacional, mas consistente, de grande magnitude e biologicamente plausível.
  • Os benefícios valem para a prevenção primária, secundária e terciária: nunca é tarde para começar a se exercitar (Figura Central).
  • A relação dose-resposta é não linear; “cada minuto de movimento conta”, e o maior retorno vai para os menos ativos.
  • Tempo sedentário: muito tempo sentado associa-se a maior risco, e cumprir as recomendações formais não compensa totalmente o risco cardiovascular independente do tempo sedentário prolongado no resto do dia. Pode-se cumprir o volume semanal e permanecer muito sedentário, padrão associado a risco cardiometabólico elevado.
  • As grandes diretrizes internacionais recomendam 4 componentes ao longo da vida: aeróbico, fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade (Tabela 2).
Tabela 2 – Componentes recomendados de atividade física na idade adulta
ComponenteRecomendação
Atividade aeróbica• 150–300 min/semana de atividade de intensidade moderada, 75–150 min/semana de intensidade vigorosa ou uma combinação equivalente.
• Adaptar a intensidade e a progressão à capacidade funcional, aos sintomas, às comorbidades e aos objetivos.
Fortalecimento muscular• Realizar atividades envolvendo os grandes grupos musculares pelo menos 2 dias/semana.
• Enfatizar mobilidade, transferências, equilíbrio e atividades da vida diária quando pertinente.
Equilíbrio e treinamento funcional• Realizar pelo menos 3 dias/semana em indivíduos com risco de quedas ou com fragilidade, alteração da marcha ou limitações funcionais.
Atividade de intensidade leve e tempo sedentário• Aumentar o movimento de intensidade leve ao longo do dia.
• Minimizar o tempo sedentário substituindo o tempo sentado por atividade de qualquer intensidade.
• Usar pausas frequentes com movimento de baixa intensidade quando as metas-padrão de atividade forem inalcançáveis.
⚖️ Nota de fidelidade

O texto afirma que as diretrizes internacionais recomendam 4 componentes (aeróbico, fortalecimento muscular, equilíbrio e flexibilidade) e remete à Tabela 2, mas a Tabela 2 não traz uma linha de flexibilidade — a quarta linha é “atividade de intensidade leve e tempo sedentário”. Ambos mantidos como no original.

🎓 Interpretação didática

Na consulta, pergunte também quantas horas o paciente passa sentado. Para o trabalhador de escritório que já caminha 150 min/semana, a próxima intervenção é quebrar o tempo sentado com pausas de movimento — não necessariamente aumentar o treino.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Primary prevention; Tabela 2.

6DAC crônica, pós-evento agudo e angina

Documento · Patients with chronic CAD; Exercise after an acute event; Exercise training in patients with angina pectoris

Na DAC, a RC é primeira linha após IAM recente, ICP, CRM, angina estável ou DEAC recente. Quem não puder fazer RC deve progredir para ≥150 min/semana de atividade moderada. Na angina estável: exercício diário abaixo do limiar da dor, podendo usar nitrato sublingual/spray imediatamente antes para treinar mais.

📖 Texto de suporte — DAC crônica e pós-evento
  • A diretriz AHA/ACC/multissociedades de 2023 de doença coronariana crônica recomenda encaminhar à RC todos os pacientes com doença coronariana crônica e indicação apropriada. A atividade física, como parte da RC, reduz eventos recorrentes após IAM.
  • Indicações de RC: após IAM recente, ICP ou CRM; angina estável; após DEAC recente.
  • A RC baseada em exercício é recomendação Classe 1 após IAM, angioplastia e cirurgia cardíaca na diretriz ACC/AHA/multissociedades de SCA de 2025 (citação; não é recomendação deste documento).
  • Metanálise de 47 ECR (12.455 pacientes, seguimento ≥6 meses): 26% menos mortalidade cardíaca e 18% menos internações, sem redução significativa de morte total, IAM ou revascularização.
  • Para quem não pode participar de um programa estruturado: seguir as diretrizes do CDC e ACC/AHA — ≥150 min/semana de atividade moderada.
📖 Texto de suporte — angina
  • O treinamento adia o início da angina de esforço (descrito desde Heberden, há 250 anos), reduz o desconforto torácico e aumenta a capacidade de exercício na angina estável.
  • ECR mostraram menos complicações e maior tolerância ao esforço com treinamento do que com angioplastia e stent — mas esses estudos antecederam os stents farmacológicos e as técnicas atuais. Ainda assim, o treinamento beneficia quem não é candidato à revascularização.
  • Mecanismos: FC menor no exercício após o treino e menos vasoconstrição induzida pelo exercício nas coronárias ateroscleróticas.
  • Orientação: exercício diário, em intensidade abaixo da que desencadeia o desconforto; para aumentar o nível, nitroglicerina sublingual ou spray imediatamente antes do esforço.
Consenso – DAC
Consenso

A RC continua sendo o tratamento de primeira linha para pacientes com DAC após IAM recente, intervenção coronária percutânea, cirurgia de revascularização miocárdica, angina estável ou dissecção espontânea de artéria coronária recente.

Consenso

Os pacientes que não puderem participar de RC formal devem ser orientados a progredir para pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada.

Consenso

Pacientes com angina estável devem se exercitar regularmente em intensidade abaixo do limiar que provoca o desconforto torácico. A terapia antianginosa antes do exercício pode ser usada para aumentar o nível de exercício.

🎓 Interpretação didática

“Liberar” o paciente com DAC para caminhar não é o mesmo que prescrever: encaminhe à RC (primeira linha) e, se ele não puder ir, escreva a meta (≥150 min/semana moderada), a intensidade (abaixo do limiar anginoso, Borg 12–14) e o plano de progressão.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Patients with chronic CAD; Exercise after an acute event; Exercise training in patients with angina pectoris.

7Doença arterial periférica

Documento · Peripheral artery disease

Na claudicação intermitente, o exercício supervisionado ou estruturado é primeira linha — antes de outras intervenções, mesmo com claudicação limitante. Caminhar em séries até dor de claudicação moderada a quase máxima, repousar e repetir.

📖 Texto de suporte
  • A terapia com exercício é tratamento fundamental na DAP sintomática e deve ser considerada de primeira linha para a maioria com claudicação intermitente: melhora o desempenho na caminhada, os sintomas, a capacidade funcional e a qualidade de vida.
  • A diretriz ACC/AHA/multissociedades de DAP de 2024 recomenda encaminhar o paciente com claudicação a um programa estruturado ou, se indisponível, a programas comunitários ou individualizados; a utilidade de programas de atividade física não supervisionados é menos certa. Esse tratamento não operatório deve ser oferecido antes de outras intervenções, mesmo com claudicação funcionalmente limitante.
  • Metanálise de 25 ECR (caminhada supervisionada × observação): aumento médio ponderado de 180 metros na distância de caminhada a favor do grupo de caminhada.
  • Os maiores ganhos ocorrem com caminhada até dor de claudicação moderada ou quase máxima, seguida de breve repouso, repetindo o ciclo.
  • Se a caminhada não for viável ou tolerada: ergometria de braço, ciclismo ou step reclinado também melhoram o desempenho na caminhada, o estado funcional e a qualidade de vida.
  • A revascularização periférica é apropriada em selecionados, mas o exercício estruturado deve permanecer central antes e depois da intervenção.
⚖️ Nota de fidelidade

O documento informa aumento médio de 180 metros (IC 95%: 92–165 metros). O intervalo de confiança relatado não contém a estimativa pontual — provável erro de digitação no original. Os valores foram mantidos como publicados.

Consenso – Doença arterial periférica
Consenso

Pacientes com DAP sintomática e claudicação intermitente devem ser encaminhados à terapia com exercício supervisionado ou estruturado como tratamento de primeira linha, para melhorar o desempenho na caminhada, os sintomas, o estado funcional e a qualidade de vida.

Consenso

A caminhada deve ser realizada em séries repetidas até desconforto de claudicação moderado ou quase máximo, seguidas de repouso, com progressão gradual conforme a tolerância.

Consenso

Quando o exercício supervisionado não estiver disponível ou a caminhada não for viável, devem ser considerados programas comunitários ou individualizados e modalidades alternativas, como cicloergômetro, ergometria de braço ou exercício de step.

🎓 Interpretação didática

O erro mais comum é orientar o paciente a parar ao primeiro sinal de dor. O estímulo terapêutico está justamente em chegar à dor moderada a quase máxima, descansar até aliviar e repetir — e é isso que precisa ser explicado, por escrito, ao paciente.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Peripheral artery disease.

8Insuficiência cardíaca: evidências do treinamento

Documento · Heart failure and cardiomyopathies

Na ICFEr crônica estável, o HF-ACTION (n = 2.331) mostrou redução de 11% em morte por todas as causas ou hospitalização após ajuste. Na ICFEp, o treino melhora capacidade e qualidade de vida, mas o efeito sobre eventos ainda não foi testado em estudos com poder adequado.

📖 Texto de suporte
  • A cobertura do Medicare para reabilitação na ICFEr crônica estável baseia-se em parte no HF-ACTION: 2.331 pacientes randomizados para treinamento ou terapia padrão. O desfecho composto de morte por todas as causas e hospitalização caiu 11% (P = 0,03) após ajuste para fatores basais pré-especificados (FA/flutter, depressão, FE e capacidade de exercício); o desfecho secundário de morte cardiovascular ou hospitalização por IC caiu 9% (P = 0,03).
  • ICFEp: o treinamento aumenta a capacidade de exercício e a qualidade de vida, sobretudo por adaptações do músculo esquelético; o impacto em eventos clínicos não foi examinado em estudos com poder adequado.
  • REHAB-HF (internados por IC aguda descompensada, intervenção nova de reabilitação física): análise exploratória sugeriu menos morte e hospitalização combinadas no subgrupo com FE preservada — hipótese em teste no REHAB-HFpEF.
  • Diferenças entre os sexos: mulheres desenvolvem mais ICFEp, homens mais ICFEr; mulheres com ICFEp podem ter maior rigidez diastólica e arterial, pressões de enchimento mais altas no esforço e menor VO₂ de pico absoluto. Mesmo assim, a evidência não apoia prescrições diferentes por sexo: individualizar por capacidade funcional, equilíbrio, mobilidade, sintomas, comorbidades, medicações, fragilidade e tolerância.
Consenso – IC e cardiomiopatias
Consenso

Pacientes com ICFEr crônica e estável podem ser encaminhados à RC para melhorar a tolerância ao exercício e os eventos clínicos. Embora o exercício melhore a capacidade funcional e a qualidade de vida em pessoas com ICFEp, o impacto sobre os eventos clínicos permanece incerto.

🎓 Interpretação didática

O HF-ACTION reduziu o desfecho composto após ajuste para preditores basais — vale lembrar isso ao discutir a magnitude do benefício. Na prática, o recado do documento é claro: ICFEr estável → encaminhar à RC; ICFEp → exercitar para sintomas e qualidade de vida, sem prometer redução de eventos.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Heart failure and cardiomyopathies (seção de manejo da DCV).

9Hipertensão arterial

Documento · Hypertension

Aeróbico, HIIT e treino combinado reduzem a PA sistólica de 24 h em 4,7 a 6,2 mmHg, sem diferença significativa entre modalidades. Não exercitar se PAS de repouso >200 mmHg ou PAD >110 mmHg, e evitar Valsalva ao levantar peso.

📖 Texto de suporte
  • Programas com recomendações-padrão de exercício aeróbico e resistido reduzem a PA em adultos hipertensos.
  • Metanálise em rede de 31 ECR (≥4 semanas; 1.345 hipertensos, PA de 24 h): diferença média em relação a controles de 4,7/2,8 mmHg (aeróbico), 5,7/4,6 mmHg (HIIT) e 6,2/3,9 mmHg (aeróbico + resistido), sem diferença significativa entre modalidades.
  • Alguns estudos mostram dose-resposta: em média 2/1 mmHg adicionais para cada 30 min/semana a mais, até cerca de 150 min/semana.
Consenso – Hipertensão
Consenso

Indivíduos com hipertensão se beneficiam do exercício regular, e as recomendações-padrão de atividade física, incluindo exercício aeróbico e resistido, devem acompanhar o tratamento medicamentoso da hipertensão.

Consenso

O exercício não deve ser realizado se a PA sistólica de repouso exceder 200 mmHg ou a PA diastólica exceder 110 mmHg.

Consenso

Prender a respiração ou realizar a manobra de Valsalva durante o exercício (particularmente ao levantar peso) pode causar alterações acentuadas da PA e deve ser evitado.

🧮 Posso me exercitar hoje? PA de repouso
Informe a PA de repouso.
🎓 Interpretação didática

O exercício acompanha o tratamento medicamentoso — não o substitui. Na musculação, oriente expirar na fase de esforço e evitar segurar a respiração: é a forma prática de “evitar a manobra de Valsalva” que o documento recomenda.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Hypertension; Tabela 4.

10Sobrepeso e obesidade

Documento · Overweight and obesity; Exercise in overweight and obesity

O exercício isolado perde pouco peso (adaptações metabólicas), mas combinado à dieta maximiza a perda; para perder peso, em geral ≥150 min/semana, e para manter, 60 a 90 min/dia na maioria dos dias. Ativos com obesidade têm 21% menos morte total e 24% menos morte cardiovascular que inativos.

📖 Texto de suporte — evidência
  • As diretrizes recomendam atividade física regular como componente do controle de peso e da saúde cardiovascular, com base em ECR curtos com desfechos substitutos e em grandes coortes.
  • A perda de peso com exercício é modesta e tende a estabilizar por ajustes metabólicos; é mais eficaz quando exercício e dieta são combinados.
  • Adultos com obesidade fisicamente ativos têm 21% menos morte por todas as causas e 24% menos morte cardiovascular que os inativos. Doses maiores de atividade aeróbica associam-se à prevenção do ganho de peso.
  • Em ECR, a perda de peso com aeróbico é dose-dependente: doses acima dos 150 min/semana mínimos, muitas vezes com dieta, são necessárias para reduções clinicamente importantes.
  • O treino resistido atenua a perda de massa magra e pode potencializar a redução de gordura, embora seu efeito isolado no peso seja modesto. Efeitos favoráveis em PA, lipídios, glicemia e composição corporal são mais consistentes com treino aeróbico ou combinado.
📖 Texto de suporte — como prescrever
  • Aeróbico + restrição calórica: em geral ≥150 min/semana para perder peso e 60 a 90 min/dia na maioria dos dias para manter a perda a longo prazo. Iniciar com modalidades aeróbicas, pois o resistido isolado não é eficaz para reduzir peso.
  • Resistido + dieta, medicamentos antiobesidade ou cirurgia bariátrica melhora a composição corporal ao atenuar a perda muscular — especialmente útil com agonistas de GLP-1 ou após bariátrica.
  • Modalidade: a caminhada é a melhor opção (disponível, baixo risco de lesão). Em esteira, elíptico ou bicicleta ergométrica, verificar o limite de peso do aparelho (frequentemente <350 libras ≈ 159 kg). Exercícios sem sustentação do peso gastam um pouco menos de energia. Evitar corrida (jogging) pelo risco musculoesquelético.
  • Para frágeis ou com problemas de equilíbrio: bicicleta reclinada, aeróbica sentada e exercícios na água.
  • Intensidade moderada, permitindo até 1 hora diária. Descondicionados: dividir em 2 a 3 sessões curtas e aumentar 5 min a cada 1 a 2 semanas até 60 min contínuos.
Consenso – Sobrepeso e obesidade
Consenso

A perda de peso é maximizada quando o exercício é combinado à dietoterapia em pessoas com sobrepeso e obesidade.

Consenso

A intensidade do exercício aeróbico deve ser moderada, para favorecer a adesão e reduzir lesões.

⚖️ Nota de fidelidade

Na Tabela 1, a primeira recomendação aparece com outra redação: “o exercício isolado frequentemente não é uma estratégia eficaz de perda de peso, mas o exercício, especialmente com sustentação do peso corporal, contribui para a perda de peso e para a manutenção da perda obtida com a dietoterapia”. A conversão 350 libras ≈ 159 kg é desta revisão.

🧮 Progressão da duração (paciente descondicionado)
Informe a duração atual e o intervalo entre aumentos.
🎓 Interpretação didática

No paciente em uso de agonista de GLP-1 ou após bariátrica, o exercício resistido muda de “opcional” para prioritário: é ele que protege a massa e a força muscular durante a perda de peso rápida.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Overweight and obesity; Exercise in overweight and obesity; Tabela 1.

11Reabilitação cardíaca: indicações, modelos e programas

Documento · Cardiac rehabilitation; Supervised exercise programs; Tabela 3

A RC é um programa multidisciplinar, supervisionado, em geral 3 vezes/semana por 12 semanas. Indicação clínica ≠ elegibilidade para reembolso. Presencial, domiciliar, híbrida, virtual (síncrona) ou remota (assíncrona): em qualquer modelo, todos os componentes centrais precisam estar presentes.

📖 Texto de suporte — elegibilidade e componentes
  • O encaminhamento de pacientes elegíveis (Tabela 3) é apoiado por medidas de desempenho ACC/AHA e por diretrizes. As indicações clínicas devem ser distinguidas da elegibilidade para reembolso — sobretudo em pessoas de risco elevado sem DCV evidente, como na síndrome cardiorrenal-metabólica ou em tratamento de câncer; a cobertura varia com diagnóstico, pagador e jurisdição e pode ser mais restritiva que a evidência.
  • Componentes centrais: treino aeróbico e resistido, educação, aconselhamento e avaliação nutricional e psicossocial, modificação de fatores de risco e avaliação de desfechos. O médico supervisor deve fornecer plano individualizado atualizado a cada 30 dias.
  • Nos EUA, os requisitos do Social Security Act aplicam-se ao Medicare; o Consolidated Appropriations Act de 2026 permitiu RC por áudio e vídeo em tempo real até 1º de janeiro de 2028 (áudio isolado ou modalidades assíncronas não incluídas).
  • Barreiras à RC presencial: transporte, custos e cobertura, horários limitados e obrigações pessoais ou de trabalho.
Tabela 3 – Indicações clínicas de reabilitação cardíaca e de terapia com exercício estruturado
Condição clínicaRecomendação/consideração
IAM recenteA RC é recomendada após IAM para melhorar os desfechos clínicos, a capacidade funcional e a qualidade de vida.
ICPA RC é recomendada após ICP como componente da prevenção secundária e do cuidado cardiovascular abrangente.
CRMA RC é recomendada após CRM para facilitar a recuperação, melhorar a capacidade funcional e reduzir o risco cardiovascular.
Angina estável/doença coronariana crônicaRC e treinamento físico estruturado são recomendados para melhorar a capacidade funcional, o controle dos sintomas, os fatores de risco cardiovascular e a qualidade de vida.
DEACA RC é recomendada após DEAC, com prescrição individualizada de exercício que considere a apresentação clínica e as condições vasculares associadas.
Reparo ou troca valvarA RC é recomendada após intervenção valvar cirúrgica ou transcateter para melhorar a recuperação funcional e a capacidade de exercício.
Transplante cardíacoA RC é recomendada após transplante cardíaco para melhorar a capacidade de exercício, a função física e a recuperação.
ICFEr, ICFElr ou ICFEpO treinamento físico é recomendado em pacientes com IC clinicamente estáveis que possam participar; a RC pode melhorar a capacidade funcional, a tolerância ao exercício e a qualidade de vida relacionada à saúde.
DAP sintomática crônicaTerapia com exercício supervisionado ou programa estruturado de exercício na comunidade é recomendada para melhorar o desempenho na caminhada, o estado funcional e a qualidade de vida.

CRM indica cirurgia de revascularização miocárdica; RC, reabilitação cardíaca; IC, insuficiência cardíaca; ICFElr, IC com fração de ejeção levemente reduzida; ICFEp, IC com fração de ejeção preservada; ICFEr, IC com fração de ejeção reduzida; IAM, infarto agudo do miocárdio; DAP, doença arterial periférica; ICP, intervenção coronária percutânea; DEAC, dissecção espontânea de artéria coronária.

Modelos de entrega

Síntese – Modelos de reabilitação cardíaca descritos no documento
ModeloDefinição/evidência
Presencial (no centro)Programa supervisionado na instalação; limitado por transporte, custo, horários e obrigações.
DomiciliarDeclaração AHA/ACC/AACVPR de 2019: eficácia e segurança a curto prazo, com necessidade de pesquisa em populações de maior risco e mais diversas e em desfechos de longo prazo. A diretriz de SCA de 2025 deu Classe 2a à RC domiciliar para quem não pode participar plenamente da RC presencial (citação).
HíbridoParte dos componentes na instalação e parte em casa ou na comunidade.
VirtualRC síncrona, por comunicação audiovisual em tempo real que permite interação direta entre paciente e equipe durante a sessão.
RemotoRC assíncrona: atividades realizadas sem comunicação em tempo real no momento do exercício.

Organização em tabela de definições que o documento traz em texto corrido. Um mesmo programa pode oferecer vários modos, e o paciente pode usar mais de um ao longo da reabilitação; em qualquer modelo, a equipe multidisciplinar e todos os componentes centrais são obrigatórios (declaração de consenso da AACVPR de 2025 sobre entrega virtual e remota).

Programas de exercício supervisionado

📖 Texto de suporte
  • Em qualquer modelo (síncrono, assíncrono, híbrido ou presencial), o volume deve progredir para 150 min/semana de atividade aeróbica moderada (Tabela 2).
  • Atividades de corpo inteiro e rítmicas: bicicleta ergométrica, caminhada, remo sentado. Treino resistido com equipamento doméstico ou faixas elásticas, para mitigar a sarcopenia.
  • Todos devem começar com exercício contínuo; podem avançar para treinamento intervalado de intensidade moderada ou maior apenas se desejado e bem tolerado.
  • Intensidade inicial individualizada e moderada: por exemplo, Borg 11 a 14 (escala 6–20).
⚖️ Nota de fidelidade

Nos programas supervisionados, o documento sugere intensidade inicial com Borg 11 a 14; nos princípios fundamentais, cita Borg 12 a 14 como faixa bem tolerada na DCV estável. Ambas as faixas mantidas como no original.

🧭 Fluxograma interativo — RC ou exercício estruturado? (Tabela 3 e consensos)

Quadro didático: fluxograma construído a partir da Tabela 3 e das recomendações de consenso; o documento não traz um algoritmo gráfico.

🎓 Interpretação didática

Menos de um terço dos elegíveis participa de RC em todos os países com dados. Quando o paciente não pode ir ao centro, a pergunta certa não é “RC ou nada?”, mas “qual modelo ele consegue cumprir?” — domiciliar, híbrido ou virtual.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Cardiac rehabilitation; Supervised exercise programs; Tabelas 2 e 3.

12Dispositivos vestíveis

Documento · Wearable devices to monitor activity

Vestíveis aumentam a atividade em cerca de 1.800 a 1.850 passos/dia em geral e ~2.600 passos/dia em doença cardiometabólica, mas o efeito é modesto, muitas vezes de curto prazo, e não aparece em grupos de baixo nível socioeconômico. Funcionam melhor associados à orientação do médico.

Síntese – Evidências sobre vestíveis citadas no documento
População/estudoEfeito
Adultos saudáveis (metanálise, 28 ECR, 7.454 indivíduos)≈ +1.850 passos/dia (confirmado por revisão de 12 ECR). Efeito predominantemente de curto prazo; um terço abandona o dispositivo em 6 meses.
Doença cardiometabólica (35 ECR)+2.592 passos/dia e +36 min/semana de atividade moderada a vigorosa.
DCVFeedback por vestível aumentou a contagem de passos; uso de vestível associado a mais que o dobro de chance de aderir às metas aeróbicas (OR 2,72) e de fortalecimento muscular (OR 2,85).
Revisão guarda-chuva (39 metanálises, 163.992 participantes)Evidência suficiente para recomendar rastreadores: ≈ +1.800 passos/dia em populações clínicas e não clínicas, com efeito sustentado.
Fase de manutenção da RCMonitores + prescrição melhoraram a ACR (DM 1,65 mL/kg/min); passos maiores em 70% dos estudos; sem eventos cardíacos adversos relacionados à atividade.
Telerreabilitação domiciliar com ECG ou FC vestível × RC no centro (15 ECR, 1.314 participantes)Melhora da FEVE (DM 2,12), da distância no TC6 (DM 40,0 m) e do VO₂ de pico (DM 2,24 mL/min/kg).
DAC ou ICReabilitação domiciliar com vestíveis é alternativa ou complemento comparável à RC no centro, com tendência a melhor qualidade de vida e menos tempo sedentário.

Organização em tabela de dados que o documento apresenta em texto corrido. DM indica diferença média; OR, razão de chances. A unidade “mL/min/kg” do VO₂ de pico foi mantida como no original.

📖 Texto de suporte — como funcionam e limites
  • As pessoas superestimam a própria atividade; o principal valor do vestível é tornar o comportamento real visível e imediato. Automonitoramento e feedback em tempo real são as técnicas de mudança de comportamento mais bem evidenciadas; metas, lembretes e alertas somam efeito.
  • Metarregressão: apenas mensagens de texto e personalização associaram-se de forma independente a maior efetividade; o número de técnicas de mudança de comportamento não se associou aos desfechos.
  • O impacto é significativamente maior quando os rastreadores são combinados a outros componentes, sobretudo consultas presenciais com o médico.
  • A RC é subutilizada: menos de um terço dos elegíveis participa em todos os países com dados; viagem, tempo e acesso são as principais barreiras — e programas domiciliares e de telerreabilitação com vestíveis atacam diretamente essas barreiras.
  • Equidade: intervenções digitais mostram efetividade clara em nível socioeconômico alto, mas nenhum efeito significativo em nível socioeconômico baixo, independentemente das técnicas usadas. Custo, letramento digital, acesso a smartphone e capacidade em eSaúde moderam a efetividade; sistemas de saúde não devem adotar vestíveis em escala sem estratégias de equidade.
Consenso – Dispositivos vestíveis
Consenso

Dispositivos vestíveis podem ser usados como adjuvantes do aconselhamento sobre exercício e da RC para apoiar o automonitoramento, o estabelecimento de metas, o feedback em tempo real e a progressão da atividade física, particularmente quando associados à orientação do médico ou a programas estruturados.

Consenso

Programas domiciliares, programas virtuais ou RC híbrida apoiados por dispositivos vestíveis podem ajudar a estender o exercício supervisionado e a monitorização a pacientes que enfrentam barreiras à participação presencial no centro.

Consenso

Os médicos devem considerar o custo do dispositivo, o letramento digital, o acesso a smartphone, a interpretação dos dados e a preferência do paciente, para evitar ampliar disparidades e garantir que as intervenções baseadas em vestíveis sejam viáveis e equitativas.

🎓 Interpretação didática

Prescrever “compre um relógio” não basta. O que a evidência apoia é o vestível dentro de um plano: meta definida, feedback, mensagens personalizadas e revisão dos dados na consulta — e, antes disso, checar se o paciente tem smartphone e consegue usar o aplicativo.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Wearable devices to monitor activity.

13Teste de esforço antes de prescrever

Documento · Exercise testing before physical activity recommendations; Tabela 4; Figura 1

Para a maioria dos assintomáticos ou estáveis, não é preciso testar antes de prescrever — e testes desnecessários viram barreira. Teste quando sintomas, deterioração recente ou atividade vigorosa planejada levantarem dúvida de segurança na DAC crônica ou na IC; na CMH e na CCA, o teste pode ser necessário para fins diagnósticos.

DAC crônica e contraindicações

📖 Texto de suporte
  • Na doença coronariana crônica, considerar cuidadosamente as contraindicações relativas e absolutas (Tabela 4) antes de iniciar o programa.
  • O teste ajuda a montar a prescrição, mas não é obrigatório para a maioria — mudança em relação a diretrizes de décadas anteriores, que recomendavam teste de rotina antes do exercício na DAC conhecida ou suspeita.
  • A atualização de 2018 da U.S. Preventive Services Task Force não recomenda teste de esforço de rotina para assintomáticos sem suspeita de cardiopatia.
  • O teste é apropriado quando sintomas ou comorbidades podem afetar a segurança ou quando é preciso estratificar o risco: por exemplo, IAM recente, IC crônica, doença isquêmica significativa, sintomas inexplicados ou sintomas de esforço de início recente — para identificar diagnósticos, informar a segurança e definir a intensidade inicial. Nesses casos, o exercício pode ser considerado se os benefícios superarem os riscos, muitas vezes com protocolos de baixa intensidade ou monitorização próxima.
Tabela 4 – Contraindicações absolutas e relativas ao exercício
TipoDefinição e exemplos
Contraindicações absolutasCondições em que o exercício não deve ser realizado até que o problema de base seja resolvido ou estabilizado. Exemplos principais:
➢ IAM agudo nos últimos 2 dias
➢ Angina instável
➢ Arritmias cardíacas não controladas com comprometimento hemodinâmico
➢ Estenose aórtica grave sintomática
➢ IC sintomática não controlada
➢ Embolia pulmonar aguda ou infarto pulmonar
➢ Miocardite ou pericardite aguda
➢ Dissecção aguda de aorta
➢ Gestação com cardiopatia hemodinamicamente significativa ou doença pulmonar restritiva
Contraindicações relativasIndicam que o exercício pode ser realizado com cautela, frequentemente sob supervisão médica ou com intensidade modificada. Exemplos:
➢ Estenose de tronco de coronária esquerda
➢ Hipertensão arterial grave em repouso (PAS >200 mmHg ou PAD >110 mmHg)
➢ Taquiarritmias ou bradiarritmias
➢ Outras condições cardiovasculares, pulmonares ou metabólicas em que o risco possa superar o benefício

Adaptada com permissão do American College of Sports Medicine, 2022.

PAD indica pressão arterial diastólica; IC, insuficiência cardíaca; IAM, infarto agudo do miocárdio; PAS, pressão arterial sistólica.

⚖️ Nota de fidelidade

Na Tabela 4, a hipertensão grave em repouso (PAS >200 ou PAD >110 mmHg) é contraindicação relativa; já a recomendação de consenso de hipertensão diz que o exercício “não deve ser realizado” acima desses valores. Ambos mantidos como no original.

Cardiopatia congênita do adulto

📖 Texto de suporte
  • A CCA vai da comunicação interatrial simples à fisiologia de ventrículo único; exercício moderado regular é recomendado em todo o espectro. A resposta varia com a lesão, a hemodinâmica e as sequelas, o que dificulta um limiar universal de teste.
  • Diretrizes da ESC recomendam avaliar 5 parâmetros basais antes da prescrição em todos: função ventricular, pressão arterial pulmonar, dimensões da aorta, risco de arritmia e saturação de oxigênio.
  • O TCPE, quando apropriado, é a ferramenta preferida para individualizar a intensidade; o VO₂ de pico é um dos mais fortes preditores de morbidade e morte nessa população.
  • Valor terapêutico subutilizado: cerca de três quartos dos pacientes com CCA têm receio de se exercitar e 26% preenchem critérios de cinesiofobia. A avaliação supervisionada estabelece limites objetivos e orientação específica — o teste é ao mesmo tempo “porteiro de segurança” e porta de entrada para a atividade física.

Insuficiência cardíaca

📖 Texto de suporte
  • O exercício supervisionado na IC, antes considerado contraindicado, é hoje recomendação Classe I da ACC/AHA, sobretudo na ICFEr (citação).
  • Na IC clinicamente estável, o teste não é necessário antes de iniciar atividade de intensidade baixa a moderada, mas informa capacidade funcional, risco e prescrição — sobretudo em programas estruturados ou RC.
  • O TCPE é o método preferido na IC: VO₂ de pico, eficiência ventilatória, razão de troca respiratória e sintomas (Figura 1). O teste limitado por sintomas com ECG identifica arritmias, respostas anormais da PA, isquemia e limitações.
  • Considerar teste antes de exercício vigoroso. IC avançada, sintomas de esforço inexplicados, deterioração clínica recente ou história de arritmias/isquemia induzidas pelo exercício: triagem apropriada, que geralmente inclui teste.
  • IC aguda descompensada, congestão em piora ou hospitalização recente por IC: atingir estabilidade clínica antes do treino estruturado. Esses pacientes (REHAB-HF) têm muita fragilidade, sobretudo idosos e com ICFEp, e podem precisar de intervenção multidimensional por déficits de equilíbrio e mobilidade.
Figura 1 traduzida: três colunas — teste ergométrico em esteira (capacidade de exercício em METs/duração, alterações do segmento ST, resposta da FC e da PA, sintomas e arritmias induzidos, escore de Duke); teste de caminhada de 6 minutos (distância total, SpO₂, resposta da FC, escore de Borg de dispneia e fadiga, pausas permitidas); teste cardiopulmonar de exercício (VO₂ de pico, limiar anaeróbio ventilatório, inclinação VE/VCO₂, razão de troca respiratória, pulso de O₂ e FC de pico).
Figura 1 – Formas de teste de esforçoToque na imagem para ampliar · traduzida para o português mantendo o formato original · ver original em inglês

MET indica equivalente metabólico da tarefa; VCO₂, produção de dióxido de carbono; VE, ventilação-minuto.

⚖️ Nota de fidelidade: no original, o teste de caminhada aparece com a sigla “6MMT” (e não 6MWT) e a RER como “respiratory exchange rate”; aqui, traduzidos como TC6 e razão de troca respiratória.

Cardiomiopatia hipertrófica

📖 Texto de suporte
  • O teste avalia objetivamente capacidade e fisiologia antes do aconselhamento e pode identificar obstrução da VSVE, arritmias ou queda da PA que mereçam intervenção; estabelece a ACR basal como ponto de partida.
  • Idealmente inclui TCPE, com ecocardiograma transtorácico conforme necessário para avaliar obstrução da VSVE provocável, ausente em repouso.
  • Diretriz AHA/ACC/multissociedades de CMH de 2024: teste particularmente importante em sintomáticos, em quem sintomas e estado funcional são difíceis de definir (ex.: pediatria) e em quem considera esporte vigoroso recreativo ou competitivo com decisão compartilhada. Mesmo em assintomáticos o teste é razoável, sobretudo na avaliação inicial e antes do aconselhamento.
Consenso – Teste de esforço antes das recomendações de atividade física
Consenso

O teste de esforço de rotina não é necessário antes da prescrição de exercício para a maioria dos indivíduos assintomáticos ou clinicamente estáveis, e testes desnecessários podem criar barreiras ao início do exercício. Em condições de maior risco, incluindo CMH e CCA, o teste de esforço pode ser necessário para fins diagnósticos.

Consenso

O teste de esforço deve ser considerado em pessoas com DAC crônica ou IC quando sintomas, deterioração clínica recente ou atividade vigorosa planejada levantarem preocupações quanto à segurança ou exigirem estratificação de risco individualizada.

Consenso

Quando realizado, o teste de esforço ou o TCPE pode ajudar a estabelecer a capacidade funcional basal; identificar isquemia, arritmias, respostas anormais da PA ou outras limitações; e orientar a intensidade inicial segura e a progressão do exercício.

ConsensoSó na Tabela 1

Quando realizado em atletas, o teste de esforço deve ser adaptado, tanto quanto possível, para reproduzir o esporte preferido.

🧭 Fluxograma interativo — preciso de teste de esforço antes de prescrever?

Quadro didático: fluxograma construído a partir das recomendações de consenso, da Tabela 4 e do texto; o documento não traz um algoritmo gráfico.

🎓 Interpretação didática

O “risco cirúrgico do exercício” de rotina é exatamente o que o documento desestimula. A pergunta útil é: o resultado do teste mudaria a prescrição ou a segurança? Sintomas novos, deterioração, plano de exercício vigoroso, CMH ou CCA — sim. Assintomático que vai começar a caminhar — não.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Exercise testing before physical activity recommendations; Tabela 4; Figura 1.

14DCV crônica, deficiência e idosos

Documento · Volume of exercise in CR and for chronic CVD; Older adults

Quem tem DCV crônica segue as mesmas metas da população geral (≥150 min/semana ou ≥600 MET-min/semana), com aeróbico e fortalecimento. No idoso, a regra é a heterogeneidade: no frágil, primeiro força, equilíbrio, mobilidade e flexibilidade; só depois o endurance padrão, começando com sessões de até 10 minutos.

📖 Texto de suporte — DCV crônica e deficiência
  • Os princípios fundamentais e a Tabela 2 valem para todos os pacientes elegíveis à RC, com intensidade e progressão individualizadas. Quem não se qualifica ou já concluiu a RC deve manter as recomendações de atividade física para preservar a ACR.
  • Pessoas com condições crônicas, como DCV aterosclerótica, ou com mobilidade reduzida que sejam capazes devem seguir as mesmas recomendações da população geral, incluindo aeróbico e fortalecimento muscular.
  • Adultos com deficiência que não conseguem atingir os níveis recomendados devem praticar atividade física regular na maior medida possível e evitar a inatividade. Discutir oportunidades, recursos e limitações do ambiente de cada pessoa.
Consenso – DCV crônica
Consenso

Pacientes com DCV devem ser incentivados a cumprir as recomendações de atividade física (≥150 min/semana de atividade física moderada, ou ≥600 MET-min/semana), de forma semelhante à população geral.

Consenso

Pacientes elegíveis com DCV devem ser fortemente incentivados a participar de um programa de RC. Indivíduos que não se qualificam para RC ou que já concluíram um programa de RC devem continuar seguindo as recomendações estabelecidas de atividade física para manter a ACR.

⚖️ Nota de fidelidade

O consenso de DCV crônica usa a meta de ≥600 MET-min/semana; nos princípios fundamentais, o documento cita 500 a 1.000 MET-min/semana associados a melhora significativa da ACR. Ambos os números mantidos como no original.

Idosos

📖 Texto de suporte
  • Princípio da geriatria: enorme heterogeneidade de saúde e função — do atleta competitivo a quem não deambula sem ajuda. Idosos saudáveis seguem diretrizes semelhantes às dos mais jovens.
  • No frágil, o treino deve focar primeiro força, equilíbrio, mobilidade e flexibilidade, antes do endurance padrão. É particularmente importante avaliar e tratar déficits de equilíbrio para evitar quedas e lesões relacionadas ao exercício.
  • Iniciar em baixa intensidade por ≤10 minutos, aumentando duração e intensidade conforme a tolerância. Se comorbidades impedirem certas atividades, adaptar às capacidades relativamente preservadas. Pela baixa capacidade basal, o treino costuma gerar grandes ganhos relativos de função, de atividades diárias e de qualidade de vida.
  • Avaliação: teste de esforço geralmente desnecessário; para resistência, o TC6 basta se não for preciso monitorar FC, PA e ECG. Para força, 1RM modificado em máquina, se disponível. No frágil, Timed Up and Go e sentar e levantar para mobilidade; goniômetro para amplitude de movimento.
Consenso – Idosos
Consenso

As recomendações de exercício devem ser personalizadas conforme o estado geral de saúde e o grau de fragilidade do idoso.

Consenso

Em indivíduos com fragilidade, o treinamento físico deve se concentrar em aumentar força, equilíbrio, mobilidade e flexibilidade antes de progredir para o exercício de resistência aeróbica (endurance) padrão.

Consenso

O teste de caminhada de 6 minutos, o Timed Up and Go e o teste de sentar e levantar podem ser usados em idosos para avaliar resistência, equilíbrio e mobilidade.

Consenso

Buscar exercício aeróbico por 20 a 30 minutos em 3 a 5 dias por semana.

⚖️ Nota de fidelidade

Para idosos, o texto recomenda “exercício aeróbico por 20 a 30 minutos em 3 a 5 dias por semana”, enquanto a Tabela 1 diz “para idosos sem fragilidade, exercício aeróbico moderado por ≥30 min na maioria dos dias”. O texto também usa “≤10 minutos” para o início do treino no frágil (no PDF, o símbolo aparece como “#10”, artefato de fonte). Ambas as versões mantidas.

🎓 Interpretação didática

Num idoso frágil com quedas, começar por “caminhar 30 minutos” é o erro clássico. A ordem do documento é: equilíbrio e força primeiro (sentar-levantar, TUG para acompanhar), sessões curtas, e só então endurance — o que também reduz o risco de lesão.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Volume of exercise in CR and for chronic CVD; Older adults; Tabela 1.

15Cardiomiopatias, CMH e miocardite

Documento · HF and cardiomyopathies, including HCM and myocarditis

Na CMH, exercício recreativo leve a moderado é seguro e benéfico em muitos pacientes avaliados. A grande exceção é a cardiomiopatia arritmogênica, em que o excesso de exercício pode acelerar a doença. Miocardite ativa: sem exercício extenuante até a remissão — em geral restrição por 3 a 6 meses na miocardite sintomática.

📖 Texto de suporte
  • A inatividade física associa-se a pior capacidade funcional, pior qualidade de vida e desfechos adversos na IC e nas cardiomiopatias; as recomendações atuais enfatizam aconselhamento de rotina sobre atividade física, individualizado por subtipo, gravidade, risco arrítmico, sintomas e objetivos de exercício do paciente.
  • CMH: evidências apoiam segurança e benefício do exercício recreativo leve a moderado, com melhora de capacidade, ACR e qualidade de vida, sem evidência clara de aumento do risco arrítmico em indivíduos adequadamente avaliados.
  • ICFEr crônica estável: treino aeróbico estruturado melhora capacidade, sintomas e estado de saúde e associa-se a redução de eventos clínicos.
  • A cardiologia do esporte apoia cada vez mais a decisão compartilhada sobre atletismo vigoroso recreativo e competitivo em selecionados com CMH, cardiomiopatia dilatada e outros portadores de CDI, após avaliação abrangente e risco individualizado.
  • Cardiomiopatia arritmogênica: exceção importante. Volume acima do recomendado e exercício de endurance podem acelerar a progressão e o risco arrítmico, sobretudo na doença desmossomal; restringir para doses totais menores, intensidades menores ou ambas pode ser apropriado em alguns.
  • Na cardiomiopatia dilatada, genótipos específicos (LMNA, FLNC) merecem atenção adicional no aconselhamento, pelo maior risco arrítmico.
  • Em todas as cardiomiopatias, a reavaliação periódica é essencial: função ventricular, carga arrítmica, sintomas e tolerância mudam e exigem ajustes.
  • Miocardite aguda é contraindicação importante ao treino. Na miocardite ativa, evitar exercício extenuante até a remissão clínica; o retorno é individualizado pela resolução de sintomas, lesão e inflamação miocárdica, função ventricular e arritmias significativas. A orientação atual do ACC em geral recomenda restrição de atividade extenuante por 3 a 6 meses na miocardite sintomática, seguida de reavaliação antes do retorno.
Consenso – IC e cardiomiopatias
Consenso

As prescrições de exercício devem ser individualizadas de acordo com o subtipo de cardiomiopatia, a gravidade da doença, o risco arrítmico, os sintomas e o exercício específico do paciente.

Consenso

Evidências recentes apoiam a segurança e os benefícios do exercício recreativo de intensidade leve a moderada em muitos pacientes com CMH.

Consenso

Em pacientes com IC, cardiomiopatia ou CMH, a reavaliação periódica é importante, pois a função ventricular, a carga arrítmica, os sintomas e a tolerância ao exercício podem evoluir ao longo do tempo e exigir modificação das recomendações de exercício.

Consenso

Algumas condições, como a cardiomiopatia arritmogênica, podem piorar com o exercício, e avaliação e monitorização cuidadosas por um especialista são necessárias.

⚖️ Nota de fidelidade

A primeira recomendação termina em “exercício específico do paciente” (no original, “patient-specific exercise”), aparentemente incompleta — no texto de suporte, a expressão é “objetivos de exercício específicos do paciente”. Na Tabela 1, a mesma recomendação inclui também as comorbidades. Mantida como no original.

🎓 Interpretação didática

Três perguntas antes de prescrever exercício numa cardiomiopatia: qual o subtipo (arritmogênica muda tudo), qual o risco arrítmico (genótipo, CDI, arritmias no teste) e há atividade inflamatória (miocardite)? O padrão para a CMH deixou de ser “proibir” e passou a ser “avaliar, testar e decidir junto”.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — HF and cardiomyopathies, including HCM and myocarditis; Tabela 1.

16Monitoramento, riscos e lacunas

Documento · Monitoring and follow-up; Evidence gaps and future directions

Efeito de treino: +≥1 MET no teste graduado (sobretudo com FC menor na mesma carga) ou +>50 m no TC6. O risco de MS e IAM sobe durante e até 1 hora após o esforço, mas o risco absoluto é muito pequeno. Sintoma novo no exercício — sobretudo isquêmico — é sinal para parar e procurar atendimento.

📖 Texto de suporte — avaliação da resposta
  • Para quem caminha em esteira: teste graduado antes e depois do treino, com incrementos modestos (~1 MET) entre estágios; bicicleta para quem tem alteração de equilíbrio ou marcha.
  • Aumento de ≥1 MET geralmente indica efeito de treino, sobretudo com redução da FC na mesma carga. Na angina de esforço, FC menor na mesma carga provavelmente significa menos angina; na hipertensão, PA menor na mesma carga.
  • TC6: em pessoas relativamente saudáveis e com DCV leve, aumento >50 m indica efeito de treino; é submáximo, mais representativo das atividades diárias e menos intimidante — útil em idosos e em quem não está acostumado a esforço máximo.
  • IC, CCA e outros distúrbios maiores: comparar TCPE basal e após treino. O VO₂ de pico é forte indicador prognóstico; valores <12 a 14 mL/kg/min geralmente indicam necessidade de encaminhamento para possível dispositivo de assistência ventricular esquerda ou transplante.
🧮 Houve efeito de treinamento?
Na mesma carga
Preencha os METs e/ou a distância do TC6 antes e depois do treino.

Riscos do exercício e quando testar

📖 Texto de suporte
  • O risco de eventos (IAM agudo e MS) é maior durante e por 1 hora após o exercício que em atividades de lazer, e provavelmente cresce com a intensidade — mas o risco absoluto é pequeno.
  • Physicians’ Health Study: 1 MS relacionada ao exercício a cada 1,51 milhão de episódios de exercício. Em mulheres, 1 MS a cada 36,5 milhões de pessoas-hora de exercício moderado ou vigoroso. IAM relacionado ao exercício: estimativa de 0,75 por 100.000 pessoas-ano em um estudo.
  • O risco absoluto aumenta com a prevalência de aterosclerose na população, pois IAM e MS são sobretudo sequelas da aterosclerose.
  • A triagem de rotina com teste antes de exercício moderado a vigoroso é controversa e geralmente não recomendada; já quem desenvolve sintoma novo no exercício, especialmente isquêmico, deve parar e procurar atendimento imediato.
Consenso – Avaliação da resposta ao exercício
Consenso

Um aumento de ≥1 MET em teste graduado em esteira ou cicloergômetro geralmente indica efeito do treinamento, particularmente se acompanhado de redução da FC em cargas equivalentes.

Consenso

O teste de caminhada de 6 minutos pode ser usado para quantificar o efeito do treinamento em idosos e em quem não necessita de monitorização eletrocardiográfica ou da PA, com um aumento >50 metros geralmente indicando efeito do treinamento.

Consenso

O TCPE pode ser particularmente informativo em pessoas com IC, CCA ou outros distúrbios cardiovasculares importantes, porque permite uma determinação mais precisa da capacidade funcional e do efeito do treinamento.

Consenso – Monitoramento e seguimento
Consenso

O risco de eventos cardíacos graves durante o exercício é extremamente baixo na população geral. A triagem médica de rotina, incluindo o teste de esforço, antes de exercício de intensidade moderada a vigorosa geralmente não é necessária, devido ao baixo risco absoluto do exercício, à alta taxa de resultados falso-positivos em indivíduos assintomáticos, ao baixo valor preditivo do teste de esforço para IAM e MS e ao fato de que esse rastreamento desencorajaria o início do exercício.

Consenso

No entanto, pacientes que desenvolvem novos sintomas durante o exercício, especialmente se sugestivos de isquemia cardíaca, devem interromper o exercício regular e procurar atendimento médico.

Lacunas de evidência

📖 Texto de suporte — Evidence gaps and future directions
  • Conhecimento: faltam tempo, formação e conhecimento das diretrizes; a integração à atenção primária é limitada.
  • Prescrição: o FITT é estabelecido, mas há pouca evidência sobre combinação, progressão e adaptação ideais, sobretudo em multimorbidade, programas domiciliares e componentes cognitivo-comportamentais.
  • Implementação e adesão: baixa adoção de prescrições escritas, acesso fragmentado a especialistas em exercício e pouca pesquisa sobre engajamento a longo prazo, especialmente em idosos e doentes crônicos.
  • Ferramentas digitais: faltam estudos de telessaúde e de aplicativos de prescrição, inclusive em contextos de poucos recursos. Heterogeneidade de desfechos e escassez de ensaios com desfechos clínicos de longo prazo.
  • Sistema: papéis da equipe, fluxos de encaminhamento, custo-efetividade e políticas pouco estudados.
  • Essas lacunas não mudam a conduta: o cardiologista deve perguntar sobre hábitos de atividade física, enfatizar seu valor e sugerir que a maioria dos pacientes faça exercício moderadamente vigoroso por ≥150 min/semana ou vigoroso por ≥75 min/semana.
🎓 Interpretação didática

Use o reteste como ferramenta de motivação: mostrar ao paciente que ele ganhou 1 MET ou 60 metros no TC6 é um reforço poderoso de adesão — e documenta objetivamente a resposta à prescrição.

Fonte: ACC Scientific Statement 2026 — Monitoring and follow-up; Evidence gaps and future directions.

🎯Treino e desempenho

Escolha como estudar. Suas respostas ficam salvas neste navegador: dá para fechar a página e continuar depois.

Modo prova

Casos sorteados de todas as seções. A correção só aparece no fim.

Revisão das erradas

Refaça só os casos que você errou (ou deixou em branco na prova). Acertou, sai da lista.

Por seção

Treine um tema específico, com os casos em nova ordem.

Flashcards

Cartões curtos com os números e critérios que mais caem. Toque no cartão para virar; marque “Sabia” ou “Revisar depois” — os de revisão voltam na mesma rodada e ficam salvos para depois.

📊 Desempenho por tema

🎓Desafio final — 20 casos integradores

Casos que cruzam capítulos: metas e intensidade, teste de esforço, reabilitação, doença de base, comorbidades e acompanhamento no mesmo paciente. Escolha uma alternativa e leia o comentário completo.

Continuar de onde parou: